"Capitais" do Estado Islâmico são cercadas no Iraque e na Síria

Yaser Yunes.

Erbil (Iraque)/Beirute, 26 dez (EFE).- Dois anos depois da súbita expansão, o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) luta para se manter em Mossul, no Iraque, e em Al Raqqa, na Síria, os dois grandes redutos de seu autoproclamado califado - sistema islâmico de governo -, perseguidos por forças iraquianas e sírias apoiadas pela coalizão internacional.

No dia 17 de outubro, começou a campanha militar para liberar Mossul, no norte do país, com a participação do Exército, da Polícia Nacional e das tropas curdas "peshmergas", que ganhou o apoio depois das milícias xiitas "Forças Populares de Mobilização", apesar do receio da minoria sunita, por conta dos abusos cometidos por alguns de seus homens em ações militares anteriores.

Nas primeiras fases, o avanço das forças iraquianas parecia imperar, apesar dos muros erguidos pelos seguidores do líder do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, que espalhou minas e bombas por todos os povoados em sua mão antes de ir embora. Esse sucesso era em grande parte graças à cobertura aérea da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, em coordenação com as autoridades iraquianas na última grande batalha iraquiana contra o EI, que em 2016 perdeu grandes cidades, como Faluja.

No entanto, desde que a luta deixou de ser na planície de Ninawa, que se estende pelo sul e pelo leste de Mossul, e em 30 de outubro entrou nos bairros orientais da "capital" iraquiana do EI, o avanço passou a ser mais lento e complicado devido à resistência dos jihadistas e pela dificuldade de lutar em uma área densamente povoada. Desde então, as forças regulares retomaram o controle de 40 distritos da metade leste da cidade, mas parte oeste ainda continua com forte domínio do EI, além de outras localidades e zonas do oeste da província de Ninawa, da qual Mossul é capital.

A partir de novembro, o peso dos combates se refletiu nas baixas sofridas no front do Exército e nas milícias. Ao todo, 1.959 soldados iraquianos morreram, três vezes mais do que em outubro, segundo a Missão de Assistência da Organização das Nações Unidas para o Iraque (Unami).

Mesmo com tantas perdas quem mais sofre com a guerra é a população civil. Não se sabe ao certo quantos moradores permanecem na cidade, mas quando a ofensiva começou a ONU calculava que por lá havia de 1,2 a 1,5 milhão de pessoas. Além disso, o número de deslocados pela violência em Ninawa alcançou na semana passada a marca de 103.362 pessoas, conforme o Ministério de Migrações do Iraque, enquanto se desconhece quantos civis morreram ou se feriram.

Se a batalha por Mossul parece ser longa e difícil, a ofensiva contra a cidade síria de Al Raqqa - a autodenominada "capital do califado" - também não parece que vá ser rápida.

Em 6 de novembro, a aliança armada curdo-árabe Forças da Síria Democrática, que combate com o apoio de unidades especiais americanas e de outros países que integram a coalizão internacional anti-jihadista, lançou a operação "Ira do Eufrates" para isolar a capital dos terroristas. Desde então, conquistaram 700 quilômetros quadrados no norte da província de Al Raqqa e outros 1.300 no oeste da mesma província.

A aliança conta com o apoio de combatentes locais, assim como com 1.500 combatentes árabes originais da cidade de Al Raqqa, no norte do país, e de outras partes da região, que receberam treinamento e armas da coalizão internacional.

Em meados de dezembro, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, revelou que seu país enviará cerca de 200 soldados a mais à Síria para apoiar às Forças da Síria Democrática. No Bahrein, ele explicou que na fase atual seu governo pretende "assegurar o sucesso do isolamento de Al Raqqa" e gerar as forças locais necessárias para "controlar e manter" o domínio do local uma vez que tenha sido reconquistado.

Alguns dias depois, o chefe do Pentágono disse, dessa vez em Londres, que o objetivo da coalizão "não é apenas ganhar a guerra (do EI), mas garantir a paz", por isso será necessário manter o trabalho da coalizão mesmo depois da "derrota do Estado Islâmico" tanto na Síria quanto no Iraque, para assegurar que a aguardada paz na região será duradoura.

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