Guerrilha causa seu maior dano ao governo paraguaio ao matar 8 militares

Assunção, 27 dez (EFE).- A guerrilha Exército do Povo Paraguaio (EPP) causou em 2016 o maior de seus danos ao governo com o atentado que em agosto matou oito militares, além de ter sequestrado um jovem menonita que segue em seu poder junto com outros dois reféns.

O atentado, ocorrido no departamento de Concepción, no norte do país, foi o mais sangrento dos executados em toda sua história pelo EPP, fundado em 2008 e ao qual o governo atribui 40 assassinatos.

O caso abalou ainda a principal arma do governo contra o EPP, já que todas as vítimas eram militares que integravam a Força de Tarefa Conjunta (FTC), o combinado militar e policial criado durante o mandato do presidente Horacio Cartes para combater o grupo armado.

O duro golpe pôs em evidência a segurança interna da FTC, já que a patrulha atacada transitava quase sem proteção em uma das áreas consideradas de "influência" do EPP.

As oito vítimas, que realizavam tarefas de controle no departamento de Concepción, estavam a bordo de um caminhão da FTC em um trabalho considerado de rotina. A maioria viajava na caçamba descoberta quando aconteceu a explosão de um bomba durante sua passagem.

Pouco depois, os guerrilheiros abriram fogo contra os militares e fugiram com algumas armas e munição das vítimas. Seis delas morreram na hora, e as demais quando eram transferidas a um hospital.

O caso teve um grande impacto em todo o país, que no dia se vestiu de luto, segundo palavras do procurador-geral do estado, Javier Díaz de Verón.

O atentado aconteceu quando Cartes fazia uma viagem oficial ao México. Visivelmente abalado, Cartes deu um passo à frente em sua chegada ao aeroporto de Assunção, quando assumiu à imprensa a responsabilidade pelas oito mortes.

Um dia depois ele foi ao local do atentado para dar ânimo à FTC e "honrar o sacrifício" das vítimas.

No entanto, as perdas humanas não contiveram as criticas dos partidos da oposição e da sociedade civil, que denunciaram a ineficácia das forças de segurança do Estado contra uma guerrilha composta por cerca de 30 membros, segundo os cálculos da FTP.

Isto porque, um mês antes desse atentado, a guerrilha tinha sequestrado Franz Wiebe, um menonita de 17 anos que trabalhava em uma área agrícola em Río Verde, no departamento de San Pedro.

O adolescente foi sequestrado junto com outro menonita, que foi libertado no mesmo dia, levando um comunicado no qual o EPP exigia o pagamento de US$ 700 mil pela liberdade de Wiebe.

Até agora se desconhece o paradeiro do rapaz, cuja família cobrou em novembro dos sequestradores uma prova de vida.

Em idêntica incerteza está a família de Abraham Fehr, outro colono menonita que em 8 de agosto deste ano completou um ano em poder do EPP, que pediu US$ 500 mil por sua libertação.

Há falta de notícias também sobre o terceiro refém da guerrilha, o suboficial da Polícia Nacional Edilio Morínigo, sequestrado há mais de dois anos. Em troca de sua liberdade, o EPP propôs ao governo a libertação de alguns guerrilheiros presos, o que foi rejeitado.

As últimas imagens de Morínigo remontam a outubro de 2014, quando as autoridades receberam um vídeo no qual ele era visto em um acampamento junto com Arlan Fick, um jovem de origem brasileira sequestrado meses antes e ficou 267 dias em cativeiro, sendo libertado após o pagamento de um resgate de US$ 500 mil, segundo reconheceram seus pais.

Desde 2013, a chefia da FTC, criada naquele ano após a chegada de Cartes ao governo, sofreu seis mudanças, a última no final de novembro. Muita mobilidade, segundo especialistas em segurança, para uma corporação que nasceu com o único fim de acabar com o EPP.

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