Fiéis de Iemanjá lembram que foram origem do famoso Réveillon do Rio

Carlos A. Moreno.

Rio de Janeiro, 29 dez (EFE).- Os fiéis de Iemanjá fizeram na quinta-feira homenagem à deusa das águas em cerimônia na praia de Copacabana, onde lembraram que foram seus rituais os que deram origem ao Réveillon, como é conhecida a camisa desta de final de ano na cidade do Rio de Janeiro.

Em um culto que reuniu cerca de 500 pessoas nas areias de Copacabana, seguidores da umbanda e do candomblé, as mais conhecidas religiões afro-brasileiras, entregaram na quinta-feira suas oferendas a Iemanjá, um dos orixás mais adorados no Brasil, para agradecer pelas bençãos de 2016 e pedir proteção para 2017.

"O significado (desta cerimônia) é um agradecimento aos presentes recebidos, assim como uma oportunidade para fazer pedidos. Muitos estão pagando suas promessas", explicou à Agência Efe a mãe de santo Rose.

Embora esta cerimônia era realizada tradicionalmente o último dia do ano e deu origem a muitos rituais que acontecem no Réveillon, os fiéis de Iemanjá voltaram a antecipar a data em dois dias, como estão fazendo há uma década, para não coincidir com a festa de fim de ano em Copacabana.

Após uma prolongado ritual ao ritmo de tambores africanos, os fiéis, vestidos rigorosamente de branco, foram até a margem do mar para mandar a Iemanjá suas oferendas.

Os babalorixás aproveitaram a cerimônia para defender a tolerância entre as religiões e lembraram que, apesar de sofrem preconceito, muitos brasileiros de todas as religiões vão aos terreiros para fazer pedidos aos orixás.

"A luta contra a intolerância religiosa não depende de Iemanjá. Depende do povo. Todo mundo tem que tratar os outros com respeito, com amor e carinho. Porque onde há amor, há felicidade", disse a mãe de santo Rose.

Os babalorixás igualmente lembraram que, apesar do preconceito, foi o ritual em homenagem a Iemanjá a cada dia 31 de dezembro, que deu origem ao Réveillon, uma festa que congrega milhões de pessoas na praia para agradecer aos deuses e pedir boa sorte no próximo ano.

"O Réveillon do Rio teve início quando os seguidores da umbanda e do candomblé começaram a ir à praia de Copacabana no último dia do ano para fazer suas oferendas", disse à Efe o babalorixá Ivanir dos Santos.

Assim como no ritual ao orixá, na festa de fim de ano a população vai para a areia em sua maioria vestida de branco, dança na praia, brinda por um melhor ano na beira do mar para lançar flores e fazer desejos.

O culto, como os dos últimos 14 anos, foi organizado pelos comerciantes do Mercadão de Madureira, uma feira popular na Zona Norte do Rio, onde tem inúmeras lojas de artigos religiosos.

Uma estátua simbolizando Iemanjá e que, pelo sincretismo religioso, tem as características de Nossa Senhora dos Navegantes, foi levada em veículo aberto em uma procissão entre Madureira e Copacabana e foi levada até a praia, em onde recebeu o tradicional banho de champanhe.

A cerimônia deste ano foi a primeira desde que a umbanda, uma combinação sincrética de elementos do catolicismo, do espiritismo, do ocultismo, das religiões africanas e das tradições dos índios africanos, foi declarada patrimônio cultural do Rio de Janeiro no mês de agosto.

"Você não pode dizer que somos uma religião de matriz africana. Somos uma religião de matriz brasileira, que se originou na miscigenação, e por isso nunca falta um caboclo em nossos terreiros", afirmou Ivanir dos Santos.

De acordo com o último censo oficial (2010), o Brasil contava com 407.332 praticantes da umbanda, que representando menos de 1% da população, localizados principalmente no Rio de Janeiro (32%) e no Rio Grande do Sul (28%), estado no Sul que faz fronteira com a Argentina e Uruguai, países em onde a religião também tem seguidores.

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