Bachelet critica machismo no Chile e descarta seguir na política após mandato

Santiago do Chile, 31 dez (EFE).- A presidente do Chile, Michelle Bachelet, criticou o machismo que persiste em seu país, apesar de alguns avanços, e descartou continuar na atividade política nacional uma vez que termine seu segundo mandato, em março de 2018.

"Houve momentos muito importantes, na busca de que as mulheres possam ser cidadãs de primeira categoria e não de segunda categoria", afirmou Bachelet em entrevista publicada neste sábado pelo jornal "La Tercera".

"Não me parece que isto seja ainda suficientemente analisado, discutido na mesa do refeitório ou no café da manhã das famílias", declarou, para depois admitir ter se sentido mais criticada no cargo por ser mulher.

"A crítica, quando é em função das ideias, de um projeto, é bem-vinda (...). Mas o que acho é que se há um presidente homem que está passando por uma situação difícil, ninguém fala de fraqueza, de falta de liderança. São outros tipos de expressões as que utilizam, não?", questionou.

Nesse contexto, lembrou que quando se revelou no início de 2015 o caso Caval, no qual são investigados judicialmente seu filho, Sebastián Dávalos e sua nora, Natalia Compagnon, por negócios irregulares, "apareceram todos os rumores de que eu era frágil, que estava deprimida, que estava doente, que tomava remédios".

"Tudo isso era mentira. Certamente posso ter ficado triste, mas não estava na categoria em que estavam me descrevendo", acrescentou a governante, que após o caso Caval viu sua popularidade despencar abaixo dos 30%, segundo as pesquisas.

"Está bem ter mulheres em lugares importantes, mas isso não significa que de maneira automática se gerem as mudanças culturais que permitam que essa cultura sexista e machista que existe na sociedade chilena possa mudar", reforçou.

Bachelet ressaltou na entrevista que este mandato presidencial será seu último capítulo na política chilena: "Está absoluta e totalmente descartado continuar na política chilena, do ponto de vista de cargos de representação", garantiu.

Perguntada por seus planos futuros, disse que vai "se desligar da tomada" e indicou que tem "vontade de fazer coisas mais manuais. Adoro cozinhar. Mas não pensei em nada, na verdade. Além disso, para ser franca, não me atrevo a dizer nada".

Perguntada sobre onde imagina estar em 25 de março de 2018, após entregar o cargo, Bachelet afirmou que "em uma praia, talvez. Em um lugar dando um tempo, porque a verdade é que é muito difícil se desconectar", concluiu.

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