Governo da R.D.Congo e oposição decidem realizar eleições no fim deste ano

Kinshasa, 1 jan (EFE).- O governo e a oposição da República Democrática do Congo (RDC) chegaram a um acordo para organizar eleições presidenciais no fim deste ano após semanas de negociações para solucionar a crise política no país, informaram as autoridades.

"Estamos felizes que os congoleses tenham conseguido encontrar uma solução para seus próprios problemas sem a presença de estrangeiros", afirmou no final da noite de sábado o porta-voz do governo, Lambert Mende, após o término das negociações mediadas pela Conferência Episcopal Nacional do Congo (CENCO).

No entanto, o partido opositor Movimento para a Libertação do Congo (MLC), se negou a assinar o acordo porque o considerou uma traição.

Segundo este acordo, o presidente Joseph Kabila permanecerá no poder até que seja eleito seu sucessor no próximo pleito previsto para o fim de 2017, e no qual não poderá se apresentar como candidato.

Além disso, o pacto prevê que a Constituição não possa ser modificada durante o período de transição para que Kabila não tenha como concorrer a um terceiro mandato.

As eleições presidenciais estavam previstas para dezembro de 2016, mas a Comissão Eleitoral e o governo pediram há meses que pleito fosse adiado por motivos "técnicos", já que, segundo estes, o censo eleitoral está defasado.

A oposição rejeitou na época o adiamento por considerá-lo uma tentativa de Kabila, que está no poder desde 2001, de se manter no cargo, contrariando o que determina a Constituição do país.

Os protestos para pedir a renúncia do presidente explodiram em setembro na capital Kinshasa, onde morreram mais de 50 pessoas, e se prolongaram até a semana passada, quando outras 40 pessoas foram assassinadas, segundo denunciou a ONU.

Em uma tentativa de encerrar a crise, o líder opositor Samy Badibanga foi nomeado no final de novembro como primeiro-ministro e anunciou a formação de um novo governo, que inclui 67 ministros e vice-ministros, com figuras da oposição e da sociedade civil e que pretende tramitar a transição para levar o país rumo ao processo eleitoral.

Kabila dirige o país desde 2001, quando chegou ao poder após o assassinato de seu pai, Laurent-Désiré Kabila, e venceu nas duas eleições presidenciais realizadas até o momento, em 2006 e 2011.

Obrigado a deixar seu posto após dois mandatos de cinco anos, o limite estipulado pela Constituição congolesa, Kabila pode se transformar em mais um líder africano que tenta se perpetuar no poder contrariando o que determinam as leis, assim como seus colegas de Burundi, Pierre Nkurunziza, e Ruanda, Paul Kagame.

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