Papa critica "orfandade espiritual", um "câncer que corrói a alma"

Cidade do Vaticano, 1 jan (EFE).- O papa Francisco criticou neste domingo, na primeira missa de 2017, a "doença da 'orfandade espiritual'", "um câncer que silenciosamente corrói e degrada a alma" e que traz consigo "vazio e solidão".

"A orfandade espiritual é um câncer que silenciosamente corrói e degrada a alma", disse o papa perante milhares de fiéis na Basílica de São Pedro, em cerimônia pelo Dia Mundial da Paz.

"A perda dos laços que nos unem, típica de nossa cultura fragmentada e dividida, faz com que cresça esse sentimento de orfandade e, portanto, de grande vazio e solidão. A falta de contato físico (e não virtual) vai cauterizando nossos corações, fazendo-os perder a capacidade da ternura e do assombro, da piedade e da compaixão", acrescentou o pontífice.

Na cerimônia, Francisco pronunciou uma homilia na qual defendeu que "a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas sim dos fortes", e afirmou que "não é necessário maltratar os outros para se sentir importante".

Nas sociedades atuais, afirmou o papa, corre-se o risco de sucumbir ao que chamou de "corrosiva doença da 'orfandade espiritual'" que aparece quando se apaga "o sentido de filiação de uma família, um povo, da terra, de Deus".

Esta atitude, condenou com dureza, "é um câncer que silenciosamente corrói e degrada a alma".

"Somente dentro de uma comunidade, de uma família, as pessoas podem encontrar 'o clima', 'o calor' que permite aprender a crescer humanamente e não como meros objetos convidados a 'consumir e ser consumidos'", apontou Francisco.

O pontífice também fez menção especial à figura da virgem Maria e, com ela, ao papel das mães no mundo atual.

"As mães são o antídoto mais forte perante nossas tendências individualistas e egoístas, perante nossas clausuras e apatias. Uma sociedade sem mães não seria somente uma sociedade fria, mas uma sociedade que perdeu o coração, (...) uma sociedade sem piedade que deu lugar só ao cálculo e à especulação", considerou.

O papa também elogiou as "mães que nos campos de refugiados, e inclusive no meio da guerra, conseguiram abraçar e suportar sem esmurecer o sofrimento de seus filhos".

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