Segue foragido atirador que matou 39 pessoas em boate de Istambul

Istambul, 1 jan (EFE).- A polícia da Turquia continua à procura de pistas sobre o autor do atentado que deixou 39 mortos e 69 feridos em uma festa na noite de Réveillon na boate Reina, em Istambul.

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, afirmou que o atirador, que permanece foragido após mais de 16 horas do atentado, deixou a arma na boate, situada na margem europeia do estreito de Bósforo, onde entrou por volta das 1h30 (hora local; 20h30 em Brasília) e disparou indiscriminadamente contra os que festejavam a chegada do Ano Novo.

"É um terrorista como já conhecemos. Ele atirou no segurança da porta, entrou e metralhou e matou pessoas inocentes. Então, deixou o arma e abandonou o lugar se aproveitando do caos", comentou Yildirim.

O chefe do governo não especificou o tipo de arma utilizado, que segundo algumas testemunhas era um fuzil tipo kalanishkov, enquanto outros falam simplesmente de uma "metralhadora".

"Ouvi dizerem que o terrorista estava vestido de Papai Noel, não é verdade", disse Yildirim, ao desmentir algumas informações baseadas em relatos de que o atirador teria se disfarçado.

O primeiro-ministro informou que a polícia já conta com alguns indícios sobre a possível identidade do terrorista, mas não revelou mais detalhes.

Segundo o jornal "Hürriyet", o atirador fugiu do local em meio ao caos gerado pelos disparos e se fez passar por um civil assustado na multidão.

Entre as vítimas há cidadãos de vários países árabes, como Arábia Saudita, Líbia, Líbano, Marrocos e Tunísia, segundo informou a ministra turca de Assuntos Sociais, Fatma Betül Sayan Kaya, após uma visita a uma clínica na qual se encontram vários afetados pelo atentado.

A emissora pública turca "TRT" afirmou que até o momento foram identificados 20 dos 39 mortos, que totalizam 25 homens e 14 mulheres.

As autoridades turcas impuseram após o ataque um bloqueio informativo temporário, uma medida habitual após grandes atentados no país.

A boate Reina é um conhecido ponto de encontro da alta sociedade de Istambul e costuma ser frequentado por celebridades, jogadores de futebol e empresários. Um garçom do estabelecimento informou ao jornal "Hürriyet" que havia entre 500 e 600 pessoas no local para comemorar a virada do ano no momento do atentado.

Segundo relataram testemunhas ao mesmo jornal, vários clientes da boate se jogaram na área e a Guarda Costeira realizou uma operação de resgate para salvá-los.

O dono da boate, Mehmet Koçarslan, confessou ao "Hürriyet" que os serviços secretos americanos já tinham avisado sobre possíveis ataques uma semana antes e que por isso foram adotadas medidas de segurança adicionais nas margens do estreito de Bósforo.

A polícia havia mobilizado cerca de 25 mil agentes para a noite de sábado em Istambul de modo a prevenir atentados, após o país ter sido afetado por uma onda de ataques nos últimos anos.

Apesar de nenhum grupo ter assumido a autoria do atentado, as emissoras turcas indicaram que a polícia concentra as investigações no jihadista Estado Islâmico (EI).

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que este tipo de atentado busca desestabilizar a Turquia e o relacionou com a conflituosa situação da região.

"Estes ataques perpetrados por diferentes organizações terroristas contra nossos cidadãos não são independentes de outros incidentes que ocorrem na região. A Turquia está determinada a fazer o que for necessário na região para manter a segurança e a paz dos cidadãos turcos", disse Erdogan em aparente referência à luta do Exército turco contra o EI na Síria.

O EI perpetrou na Turquia 14 atentados nos últimos dois anos que deixaram um total de 250 mortos, entre eles civis, turistas estrangeiros, policiais e soldados.

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