Terrorismo atinge a boate do high society de Istambul durante o Réveillon

Ilya U.Topper e Lara Villalón.

Istambul, 1 jan (EFE).- O alvo do atentado terrorista que deixou 39 mortos e mais de 60 feridos na noite de Réveillon em Istambul, a boate Reina, é o lugar mais exclusivo da cidade, e provavelmente também o mais caro, frequentado tanto pela alta sociedade turca como por estrangeiros.

Grande parte dos mortos e feridos no atentado são estrangeiros, principalmente com origens de países árabes, confirmaram as autoridades turcas.

A boate Reina, um espaço de quase mil metros quadrados com bastante área ao ar livre e situado em frente à margem europeia do estreito de Bósforo, é o ponto de encontro para quem quer se sentir parte da alta sociedade, não só turca, mas internacional.

Não é fácil entrar no seleto clube, que tem rígidas exigências, motivo de queixas para alguns clientes frustrados, enquanto outros dizem que vão ao local porque "lá é fácil de ver famosos".

A própria boate se apresenta na internet com fotos de celebridades e não é raro que alguma delas chegue ao estabelecimento em um iate privado.

Na madrugada do domingo, pouco depois da virada do ano, o Bósforo serviu de válvula de escape para vários clientes que se jogaram na água gelada para não serem atingidos pelos tiros do terrorista, que disparava de forma indiscriminada contra a multidão. Uma lancha da Guarda Costeira turca chegou rápido e salvou os que estavam na água, evitando vítimas por afogamento.

As testemunhas descreveram à imprensa local um terrível pânico, no qual algumas inclusive perderam a capacidade de raciocinar durante um incidente que durou sete minutos desde a chegada do assassino.

O terrorista deu os primeiros tiros na calçada em frente ao local, matando um segurança e um civil antes de começar a atirar dentro da boate. Outro segurança, que estava no interior do estabelecimento, confessou à imprensa que fugiu ao ouvir os tiros.

"Não vi como o atirador se vestia. Escutei tiros de uma metralhadora. Saímos correndo, o que íamos fazer?", disse o funcionário Emrah Altun à imprensa turca.

A boate Reina, que foi inaugurada em 2002, também tem um restaurante de culinária turca e internacional, mas o que atrai o turismo é, sobretudo, o cardápio de bebidas, acessível apenas a quem estiver disposta a gastar uma boa quantia.

Se nos últimos anos não era difícil ver europeus entre a clientela, a boate, como toda a Turquia, é cada vez mais destino dos turistas provenientes dos países árabes próximos, com situação financeira confortável devido aos petrodólares e sedentos de um lazer que é difícil de se imaginar com as leis da Arábia Saudita ou de outros países do Golfo.

A ministra de Família da Turquia, Fatma Betül Sayan Kaya, informou que entre os mortos e feridos há vários cidadãos de Arábia Saudita, Líbano, Marrocos e Líbia, e que muitos eram clientes habituais da boate.

Embora a boate Reina tenha sempre sido um reduto exclusivo do 'high society' de Istambul, este atentado também transformou o local em um símbolo do que muitos turcos classificam apenas como "estilo de vida", ou seja, o hábito de se reunir em bares para beber álcool, algo incomum nas classes sociais que votam no governante Partido de Justiça e Desenvolvimento (AKP), de orientação islamita.

Talvez por isto, duas formações de esquerda, o Partido Socialista dos Oprimidos e a Federação de Associações de Juventude Socialistas, cujos integrantes foram vítimas do atentado jihadista de Suruç, que deixou 32 mortos em julho de 2015, convocaram neste domingo uma manifestação de apoio para deixar flores vermelhas no local.

No entanto, os policiais mobilizados na região não foram convencidos pelo gesto de solidariedade da classe operária com a elite econômica: impediram que a manifestação se aproximasse do lugar e prenderam 14 manifestantes, segundo informou o jornal "Cumhuriyet".

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