Cuba pós-Fidel proclama vigência de uma revolução que busca seu substituto

Lorena Cantó.

Havana, 2 jan (EFE).- Com um aceno à juventude e à substituição geracional, a Cuba governista liderada por uma cúpula já octogenária lançou nesta segunda-feira, em forma de parada militar, uma mensagem na qual proclamou a vigência de uma revolução que ficou órfã há pouco mais de um mês pela morte de seu líder, Fidel Castro.

Milhares de pessoas, ainda faltando números oficiais, marcharam hoje pela emblemática Praça da Revolução de Havana desfraldando bandeiras cubanas e cartazes de lembrança a Fidel, sob o olhar atento de seu irmão, o presidente Raúl Castro, acompanhado na tribuna pela cúpula política da ilha.

A mobilização teve também um caráter de carta defensora da soberania para Washington, a poucos dias da posse do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abertamente contrário à política de aproximação impulsionada por Barack Obama.

Antes do público em geral - batizado pelos organizadores como "povo combatente"-, marcharam centenas de representantes das Forças Armadas Revolucionárias, em um desfile que oficialmente lembrava as seis décadas de vida do atual exército de Cuba e os 58 do triunfo da revolução.

Mas a ocasião, dedicada este ano à juventude e ao falecido líder cubano, foi aproveitada para enviar uma mensagem ao mundo: Fidel pode ter "desaparecido fisicamente" mas a revolução permanece, com a substituição geracional garantida.

Não por acaso, porque nada o é na ilha, o único discurso esteve a cargo da deputada Jennifer Bello, presidente da Federação de Estudantes Universitários (FEU) e integrante do Conselho de Estado.

A jovem dirigente afirmou em seu discurso que Cuba "não cederá na defesa de seus princípios revolucionários e anti-imperialistas" e que também não esquecerá sua história e símbolos, nem renunciará a seus "compromissos".

"À nossa juventude, herdeira e continuadora das lutas e vitórias de nosso povo, dedicamos este aniversário", proclamou.

Bello também se referiu ao processo de normalização de relações entre Cuba e Estados Unidos, e assegurou que a ilha não deixará de reivindicar a suspensão do embargo que esse país mantém sobre a ilha, assim como a devolução do território da base naval de Guantánamo.

Estas palavras representam a primeira menção oficial de Cuba ao processo de degelo com os EUA nas últimas semanas, cuja continuidade está em suspenso pela chegada de Trump à Casa Branca.

Raúl Castro, por exemplo, não tocou no tema no último dia 27 de dezembro em seu discurso de fechamento da Assembleia.

Por isso, a mensagem de "resistência, unidade, liberdade e soberania" enviada nesta segunda-feira por Havana em forma de parada militar e popular pode ser entendida também como um primeiro gesto de aviso ao futuro governo Trump.

No entanto, o protagonista indiscutível do dia não foi o volátil político americano, mas o recém falecido Fidel Castro, onipresente em fotografias, entrevistas e palavras de ordem, das quais a mais repetida foi a mesma entoada durante seu funeral há pouco mais de um mês: "Eu sou Fidel".

Entre o público convidado hoje se encontrava o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño, conhecido como "Timochenko", e também a viúva de Fidel Castro, Dalia Soto, de braços dados com um de seus cinco filhos.

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