Brexit, terrorismo, imigração e populismo marcarão 2017 de desafios da UE

Bruxelas, 3 jan (EFE).- A União Europeia (UE) encara 2017 com o desafio de negociar a saída do Reino Unido enquanto enfrenta a ameaça terrorista e a crise migratória, tudo isso em um cenário de incerteza global marcado também pelas eleições cruciais que vários Estados-membros realizarão em pleno auge populista.

As instituições comunitárias retomaram nesta terça-feira o trabalho após o recesso natalino e após um ano especialmente duro para o projeto europeu, que esteve à beira de "uma crise existencial", tal como afirmou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em pleno turbilhão do "Brexit".

O desafio mais iminente da UE em seu 66º aniversário será negociar com uma só voz a saída do Reino Unido, que o governo britânico solicitará oficialmente em março e cuja sombra sobrevoará todos os debates nos próximos meses.

A definição dos termos de um acordo sem precedentes porá a toda prova os próprios pilares da UE, em torno dos quais gira até agora o consenso dos sócios: a indivisibilidade entre as quatro liberdades de circulação, ou seja, a recusa a que um país goze das vantagens do mercado único sem aceitar a imigração comunitária.

Precisamente à "unidade" apelou a chefe da Política Externa europeia, Federica Mogherini, em sua lista de propósitos para o ano novo, que passa por fazer frente ao terrorismo, solucionar os conflitos, especialmente no Oriente Médio, e abordar o "drama" da imigração.

Neste último ponto, o desafio para a UE será manter o acordo para os refugiados com a Turquia, que permitiu reduzir a pressão migratória sobre as ilhas gregas, em um momento de instabilidade na relação com o país pelas críticas de Ancara à reação europeia perante o fracassado golpe de Estado, a dura resposta do governo turco a este levante e sua rejeição a reformar a lei antiterrorista.

Com o fracasso de fato do plano de Bruxelas para situar os refugiados entre os Estados pela rejeição de alguns sócios e a intensificação do conflito na Síria, o acordo com a Turquia é fundamental na estratégia para conter a imigração e, além disso, Bruxelas prevê assinar este ano novos acordos migratórios com países africanos.

"O ano que acaba de começar não será fácil, mas há coisas que conseguimos construir em 2016 que podem nos aproximar e nos acompanhar ao longo do caminho", escreveu Mogherini em seu blog pessoal.

Em matéria de luta contra o terrorismo, a estratégia da UE passa por melhorar o controle das fronteiras externas, com sistemas para a identificação e autorização de viajantes, assim como pela luta contra o financiamento do terrorismo.

A Europa terá que lidar com um cenário internacional incerto, à espera ainda de conhecer as linhas da política externa e econômica do novo governo americano liderado por Donald Trump, ainda mais em um contexto de deterioração nas relações entre o bloco e a Rússia após as sanções por seu papel no conflito ucraniano.

A política da Casa Branca influenciará em assuntos cruciais, como a relação com a Otan em um momento em que a UE procura reforçar sua defesa - com um grande aumento de fundos para este fim em 2017 - e o futuro do Acordo de Livre-Comércio e Investimentos entre a União e os Estados Unidos (TTIP).

A UE deverá ainda fazer frente às dúvidas também no âmbito econômico, uma vez que a Itália reabriu a era dos resgates aos bancos com seu plano para o Monte dei Paschi e a Grécia segue necessitando de reformas no marco de seu programa de assistência.

Além disso, os sócios do bloco têm a disciplina pendente de reduzir o desemprego, terceira maior preocupação dos europeus, escorar a recuperação econômica e completar as reformas para a União Bancária.

Encontrar essa "unidade" que requerem as grandes decisões comunitárias será particularmente difícil em um ano no qual França, Alemanha e Holanda realizam eleições legislativas com partidos de extrema direita e caráter populista e eurocético - Frente Nacional, Alternative fur Deutschland e PVV, respectivamente - aparecendo bem posicionados nas pesquisas.

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