Estilista é deportado do Chipre e agredido na Turquia por críticas ao governo

Istambul, 3 jan (EFE).- O estilista turco Barbaros Sansal foi deportado do Chipre para a Turquia e agredido por uma multidão quandou chegou ao aeroporto Atatürk, em Istambul, por causa de um vídeo no qual critica o governo turco e grupos religiosos, informou nesta terça-feira o jornal "Hürriyet".

Na noite de Ano Novo, Sansal publicou um vídeo falando da corrupção do governo do islamita Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, sigla em turco), assim como dos vários jornalistas detidos pelas autoridades turcas.

O estilista também se referiu ao problema dos maus-tratos às mulheres em seu país e criticou o "discurso de ódio" de "grupos" islamitas contra as celebrações de Ano Novo na Turquia por considerá-las "ilícitas" e não muçulmanas, explicou a publicação.

Sansal estava no norte do Chipre quando postou seu vídeo, 30 minutos antes do ataque terrorista à casa noturna Reina, em Istambul, na madrugada de 1º de janeiro, no qual morreram 39 pessoas.

O governo turco pediu a extradição do estilista e emitiu uma ordem de detenção contra ele por insultar a Turquia e a nação turca.

Alguns veículos de imprensa favoráveis ao governo chegaram a insinuar que Sansal tinha conhecimento do atentado contra a boate Reina, que vitimou dezenas de pessoas que festejavam o Ano Novo e que foi reivindicado pelo Estado Islâmico (EI).

O estilista chegou ao aeroporto Atatürk ontem, às 20h55 locais (15h55 de Brasília), onde era aguardado por agentes que o levariam à sede da polícia de Istambul.

Quando Sansal começou a descer as escadas, uma multidão se aglomerou em volta dele e começou a agredi-lo, até que ele caísse no chão.

Segundo o "Hürriyet", a maior parte das pessoas que compareceram ao desembarque para hostilizar e agredir o estilista era de funcionários do aeroporto, e a polícia identificou oito deles, mas não especificou se os mesmos foram detidos.

Os pedidos do Ministério de Assuntos Religiosos (Diyanet) para que o Ano Novo não fosse comemorado por considerá-lo "ilícito" e não muçulmano provocaram críticas de grande parte da sociedade turca, e uma instituição da sociedade civil chegou a apresentar uma denúncia contra o Ministério, na qual o acusa de incitar o ódio.

No entanto, o governo segue processando as vozes que criticam publicamente esses discursos.

A unidade antiterrorista da polícia turca prendeu ontem uma jovem por um vídeo postado nas redes sociais, no qual criticava o fanatismo religioso na Turquia e reiterava a importância do secularismo.

O Ministério do Interior chegou a postar o vídeo no Twitter, pedindo ajuda dos usuários para identificar as pessoas que apareciam no mesmo.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos