Polícia acusa de negligência capitão de embarcação incendiada na Indonésia

Bangcoc, 3 jan (EFE).- A polícia da Indonésia acusou nesta terça-feira de negligência o capitão do navio Zahro Express, cujo incêndio no domingo deixou 23 mortos, cerca de 30 feridos e 17 desaparecidos em frente ao litoral da capital Jacarta.

"(O capitão) Foi acusado de violar o artigo 302 da Lei de Transporte Marítimo", afirmou Hero Hendrianto, diretor da polícia marítima, que acrescentou que a pena máxima são dez anos de prisão, segundo o jornal "The Jakarta Post".

Hero disse que o capitão, identificado como M. Nali, de 51 anos, permitiu que a embarcação zarpasse apesar de estar sobrecarregada, com mais de 230 pessoas, das quais 194 foram resgatadas com vida.

No entanto, o diretor de Transporte Marítimo da Indonésia, Antonius Budiyono, afirmou ontem que o barco, de 106 toneladas e fabricado em 2013, tinha capacidade para 285 pessoas.

Budiyono detalhou que o Zahr Express passou com sucesso por uma inspeção rotineira no dia 22 de dezembro.

As autoridades anunciaram que revisarão as normas de segurança do transporte marítimo para evitar que a tragédia se repita, e que despediram por negligência Deddey Junaedi, chefe do porto Muara Angke da capital, de onde partiu a embarcação.

"O relatório oficial (do porto) dizia que o barco levava 100 pessoas". "Uma testemunha disse que havia 184 passageiros e outro afirmou que havia 250", disse o diretor-geral de Transporte Marítimo, Tonny Budiono, ao jornal "The Jakarta Globe".

O Zahro Express pegou fogo após zarpar do porto de Jacarta na manhã de domingo com direção a Tidung, no arquipélago das Mil Ilhas, um trajeto que dura entre duas e três horas.

O capitão supostamente saltou do barco sem alertar os passageiros, que lutaram pelos coletes salva-vidas e alguns se atiraram diretamente na água.

A polícia investiga as circunstâncias do incêndio que, segundo os primeiros indícios, foi causado pelo curto-circuito de um gerador na proa, e depois se estendeu por todo o casco da embarcação, que foi rebocada ao porto de Jacarta.

Muitas pessoas morrem todos os anos na Indonésia em naufrágios causados por mau tempo, infraestruturas precárias e descumprimento da legislação de segurança, como a sobrecarga de passageiros e mercadorias.

O barco é o principal meio de transporte no arquipélago da Indonésia, formado por mais de 17 mil ilhas e com uma população de aproximadamente 260 milhões de habitantes.

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