Erdogan pede união nacional após atentado no Réveillon

Istambul, 4 jan (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu união nacional nesta quarta-feira e considerou que os responsáveis do atentado contra a boate Reina, em Istambul, que deixou 39 mortos no Réveillon e foi reivindicado pelo Estado Islâmico (EI), tentaram polarizar a sociedade.

"O verdadeiro objetivo destes ataques é fazer com que nossos sentimentos prevaleçam sobre a nossa razão e que nos enfrentemos uns com os outros. Os que querem dividir nossa sociedade ao longo das falhas geológicas que existem nela não perdem nenhuma oportunidade. Não vamos entrar neste jogo", disse o líder em seu primeiro discurso público desde o atentado, transmitido ao vivo pela emissora "NTV".

Erdogan afirmou que o ataque à boate Reina, um lugar de lazer da alta sociedade, "dói tanto" como o que o Estado Islâmico cometeu em agosto contra uma festa de casamento em Gaziantep e os recentes atentados suicidas contra policiais em Besiktas e soldados em Kayseri, ambos reivindicados por uma facção extremista curda.

"Já disse várias vezes que estamos em uma nova guerra de libertação e se a perdemos, quero enfatizar, isso nos levará de novo ao Tratado de Sèvres, que não foi conseguido há cem anos", disse o presidente, em alusão ao acordo de 1920 que tentou repartir grande parte da Anatólia entre os países europeus.

O chefe de Estado também se defendeu contra as acusações que o governo turco, desde 2002 em mãos do partido islamita Justiça e Desenvolvimento (AKP) que ele mesmo fundou, fez sobre uma divisão da sociedade entre grupos religiosos e laicos.

"Há alguma pessoa que se sinta pressionada por seu estilo de vida? Quero perguntar a todos: 'há alguém que diga que você não pode viver como quer, que não pode sevestir como quer'?", questionou o presidente.

Erdogan considerou que "todos podem escrever nas redes sociais sem vergonha, dentro dos limites da liberdade de expressão individual", e que as instituições públicas não devem se intrometer no estilo de vida de cada pessoa.

O presidente afirmou que a "Turquia é um país de direitos", mas no qual "ninguém tem o direito de sair à rua e fazer justiça com as próprias mãos".

Esta última declaração soou como uma alusão ao incidente ocorrido na segunda-feira, no qual funcionários do aeroporto agrediram um estilista turco, Barbaros Sansal, extraditado do Chipre para a Turquia por causa de um vídeo postado nas redes sociais no qual critica o governo turco e grupos religiosos, e que na terça-feira foi preso preventivamente por "incitação ao ódio".

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