Exército sírio bombardeia Uadi Barada, região estratégica perto de Damasco

Cairo, 4 jan (EFE).- O exército da Síria voltou nesta quarta-feira a bombardear a região de Uadi Barada, uma área estratégica próxima a Damasco, onde se encontram os mananciais que abastecem de água a capital síria, apesar da trégua que está em vigor, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

O OSDH garantiu que os bombardeios foram realizados por helicópteros das forças governamentais nas populações de Bassima, Ain al Fiya e em outros pontos deste vale.

Segundo a ONU, 4 milhões de moradores de Damasco e de sua periferia estão sem acesso à água potável desde 22 de dezembro devido aos danos causados por ataques às duas fontes principais de água apta para o consumo.

De forma paralela, foram registrados enfrentamentos de diferentes intensidades entre as forças do regime, que contam com apoio das milícias libanesas do Hezbollah, facções rebeldes e a Frente da Conquista do Levante, antigo braço sírio da Al Qaeda.

Segundo o OSDH, as populações de Uadi Barada vêm sendo atingidas por "bombardeios intensos" desde ontem, com dezenas de mísseis, barris com explosivos e projéteis lançados de helicópteros e aviões de guerra.

A ofensiva contra Uadi Barada começou há 16 dias e continuou apesar da trégua que entrou em vigor na última sexta-feira em todo o país, pactuada entre o governo e os rebeldes, sob o amparo de Rússia e Turquia.

Ontem, as ONGs de Uadi Barada, o rio que passa por Damasco, solicitaram à ONU e a todos os países influentes da comunidade internacional que pressionassem as partes em conflito para que se proteja o manancial de Ain al Fiya "que abastece com água potável" a capital e arredores.

Em comunicado, as ONGs pediram a formação de um comitê sob supervisão da ONU que determine quem são os responsáveis de cortar o fornecimento de água na capital síria, interrompido por uma explosão em uma usina de bombeamento em Ain al Fiya, da qual se acusam ambas as partes em conflito.

O cessar-fogo está sendo aplicado a todos os grupos armados rebeldes, exceto os considerados terroristas pelo governo sírio, como o jihadista Estado Islâmico (EI) e a Frente da Conquista do Levante.

Os rebeldes consideram que os ataques a Uadi Barada e a outras regiões controladas pelos opositores constituem violações graves do cessar-fogo por parte de Damasco e ameaçaram boicotar as negociações de paz previstas para fim de janeiro em Astana, a capital do Cazaquistão.

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