Trump reforça versão de Assange sobre supostos ciberataques russos

Washington, 4 jan (EFE).- O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, pareceu nesta quarta-feira dar mais crédito ao fundador do portal Wikileaks, Julian Assange, do que aos serviços de espionagem americanos sobre os supostos ciberataques da Rússia.

Pelo Twitter, Trump enfatizou a versão de Assange segundo a qual a Rússia não é a fonte dos documentos roubados que o Wikileaks divulgou durante as eleições presidenciais americanas.

O portal publicou e-mails de John Podesta, chefe de campanha da ex-candidata democrata, Hillary Clinton, que perdeu para Trump, e do Comitê Nacional Democrata (DNC), vazados por hackers.

Assange defendeu que os e-mails não vieram da Rússia, em declarações feitas durante uma entrevista à emissora "Fox" na Embaixada do Equador em Londres, onde está recluso, e exibida na noite de terça-feira.

Os serviços de inteligência americanos atribuíram os ciberataques à Rússia, país contra o qual o governo de Barack Obama impôs na semana passada, como represália, sanções diplomáticas e econômicas.

"Julian Assange disse que 'uma criança de 14 anos poderia ter hackeado Podesta'. Por que o DNC foi tão pouco cuidadoso? Também disse que os russos não deram a informação a ele", tuitou o magnata imobiliário.

"Alguém hackeou o DNC , mas por que não tinham uma 'defesa contra hackers', como o Comitê Nacional Republicano, e por que não responderam às coisas terríveis que fizeram e disseram? Os veículos de imprensa, como de costume, o passaram batido", escreveu o líder eleito.

Nesse texto, Trump faz alusão ao Comitê Nacional Republicano (RNC) e ao caso das perguntas que supostamente foram mostradas a Hillary antes de vários debates contra o senador Bernie Sanders, durante as eleições primárias para designar o candidato presidencial democrata, uma revelação contida nos e-mails vazados pelo Wikileaks.

Em umas declarações feitas na semana passada na Flórida, Trump questionou o envolvimento das autoridades russas nos ciberataques, e disse que estava na hora de "mudar para assuntos maiores e mais importantes".

O porta-voz de Donald Trump, Sean Spicer, confirmou que na próxima sexta-feira o presidente eleito se reunirá em Nova York com funcionários de inteligência para analisar o assunto dos ciberataques russos.

Consultado sobre em que Trump baseava seu ceticismo neste tema, Spicer afirmou que o presidente eleito quer conhecer os dados e as conclusões tiradas.

"Quer ouvir deles se os dados de inteligência justificam as conclusões" às quais chegou o governo de Obama, explicou o porta-voz.

Após ler os tweets de Trump, o senador republicano Linsey Graham classificou como "muito inquietante" o presidente eleito ter citado Assange para justificar seu ceticismo.

"O senhor Assange é um fugitivo da justiça, que se esconde em uma embaixada, que tem um histórico de minar os interesses americanos. Espero que nenhum americano seja iludido por ele", declarou Graham à emissora "CNN", ao ressaltar que ninguém deveria dar "nenhuma credibilidade" ao fundador do Wikileaks.

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