Detido ligado a autor de atentado em Berlim foi investigado antes de ataque

Berlim, 5 jan (EFE).- O tunisiano de 26 anos detido na terça-feira por seu vínculo com seu compatriota Anis Amri, suposto autor do atentado contra um mercado natalino em Berlim, também foi investigado antes do ataque por organismos de segurança alemães, informou nesta quinta-feira a imprensa local.

A Promotoria Federal comunicou ontem que Bilel A. se encontrou na véspera do atentado de 19 de dezembro com Amri em um restaurante no bairro berlinense de Mitte, e que lá tiveram uma longa conversa.

A porta-voz da Promotoria afirmou que ambos se conheciam pelo menos desde o final de 2015 e explicou que devido à falta de provas sobre sua participação no ataque, no qual morreram 12 pessoas, a investigação se concentra em averiguar se o detido sabia dos planos de Amri e se o ajudou.

De acordo com o jornal "Süddeutsche Zeitung" e as emissoras "WDR" e "NDR", Bilel A. foi incluído na lista de "potenciais terroristas" pelas autoridades após o atentado.

A exemplo de Amri, baleado na Itália dias depois do atentado, ele despertou as suspeitas das autoridades alemãs por seus vínculos com o radicalismo salafista e também foi investigado.

O detido morou em Berlim e Leipzig e, nesta segunda cidade, no leste da Alemanha, revelou a outros requerentes de asilo que pretendia viajar à Síria e deu a entender que levaria uma arma de fogo.

A Promotoria Federal abriu uma investigação contra Bilel A. com a suspeita de que preparava um ataque contra a segurança do Estado. Contudo, seu caso foi suspenso quando a hipótese inicial de que queria usar material explosivo para cometer um atentado não se concretizou.

No caso de Amri, as autoridades alemãs abriram no ano passado uma investigação, que posteriormente também foi suspensa.

Ambos mantinham contato frequente. Segundo o "Süddeutsche Zeitung", os dois entraram juntos na Alemanha em 2015 procedentes da Itália, e Bilel A. passou mais de uma noite no centro de amparo de refugiados no qual Amri vivia em Berlim, onde agora foi detido o tunisiano.

Além disso, Amri e Bilel A. iam juntos a uma mesquita da capital, ponto de encontro dos salafistas, a mesma na qual Amri foi visto em 19 de dezembro pouco antes do atentado.

Como informou a Promotoria ontem, Bilel A. está detido por enquanto sob a acusação de fraude na cobrança de auxílios sociais e não por sua relação com atentado.

De acordo com a investigação, o tunisiano utilizava pelo menos dois nomes diferentes com os quais, entre abril de 2015 e novembro de 2015, recebeu a quantia de 2.500 euros em auxílios sociais nas cidades de Leipzig, Mettmann e Berlim.

Amri também foi investigado por suspeita de fraude para receber benefícios na cidade de Duisburg.

Agentes investigaram na terça-feira uma casa em Berlim na qual mora um homem - considerado uma testemunha - que dividiu quarto com Amri e a quem o tunisiano ligou no dia do atentado, embora ainda não se sabe se conseguiram conversar.

Por enquanto, não existem indícios que apontem um envolvimento deste homem no ataque.

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