Presidente do Kosovo diz que país trabalha por libertação de ex-premiê

Belgrado/Pristina, 5 jan (EFE).- O presidente do Kosovo, Hashem Thaçi, condenou nesta quinta-feira como "inaceitável" a detenção do ex-primeiro-ministro do país, Ramuch Haradinaj, ontem à noite na França por uma ordem de captura emitida pela Sérvia, que o acusa de crimes de guerra.

Thaçi declarou através do Facebook que "as instituições do Kosovo trabalham com todos os seus mecanismos para que se corrija o erro e Haradinaj seja colocado em liberdade".

Haradinaj, um antigo líder guerrilheiro, foi detido pela polícia francesa no aeroporto de Basileia-Mulhouse, situado no lado francês da tríplice fronteira entre Suíça, França e Alemanha.

A Justiça sérvia o reivindica desde 2004 pela suspeita de crimes de guerra contra civis sérvios durante o conflito do Kosovo (1998-1999).

Nessa guerra se enfrentaram a então guerrilha separatista do Exército de Libertação do Kosovo (UCK, sigla em albanês) e as forças da Sérvia, que era presidida pelo autoritário Slobodan Milosevic.

"Os membros do UCK têm orgulho de terem lutado contra as leis discriminatórias e criminosas do regime de Milosevic, uma luta justa que foi confirmada pelo mundo livre e democrático (a Otan) quando este lançou a campanha de bombardeios contra alvos sérvios", acrescentou Thaçi.

Os bombardeios da Otan, que duraram de março a junho de 1999, puseram fim aos combates no Kosovo.

Os veículos de imprensa do Kosovo veicularan afirmações de Pal Lekaj, deputado da opositora Aliança para o Futuro do Kosovo (AAK, sigla em albanês), liderada por Haradinaj, que este será libertado hoje, mas não deu mais detalhes a respeito.

A ministra kosovar encarregada do diálogo com a Sérvia, Edita Tahiri, declarou que a detenção de Haradinaj foi um "ato primitivo" da Sérvia que prejudica espírito de diálogo entre as duas partes.

A Sérvia não reconhece a independência do Kosovo, sua antiga província povoada por uma grande maioria de albaneses étnicos, proclamada em 2008, mas as duas partes realizam um diálogo mediado pela União Europeia (UE) para normalizar suas relações.

Na Sérvia, o procurador de crimes de guerra, Milan Petrovic, declarou à emissora de televisão pública "RTS" que existem provas contra Haradinaj, e que a Sérvia está contente porque em países da UE se procede segundo as ordens de captura sérvias.

Em relação a um eventual procedimento acelerado de extradição, Petrovic disse que "a Sérvia não pode fazer nada nisso" porque o mesmo "só pode ser feito com consentimento da pessoa detida, caso contrário, leva bastante tempo", indicou.

Haradinaj, de 48 anos, tinha sido primeiro-ministro de dezembro de 2004 a março de 2005, e deixou o cargo para responder às acusações de crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), em Haia.

O político e ex-guerrilheiro, no entanto, foi absolvido por essa corte em duas ocasiões, em 2008 e 2012.

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