Turquia reconhece erros na Síria, mas critica permanência de Assad no poder

Ancara, 5 jan (EFE).- O vice-primeiro-ministro e porta-voz do governo da Turquia, Numan Kurtulmus, reconheceu nesta quinta-feira que a política de seu país na Síria esteve repleta de "grandes erros", mas se mostrou convencido de que estes podem ser reparados e considerou que a manutenção de Bashar al Assad no poder "não seria humano".

Em entrevista concedida ao jornal "Hürriyet", Kurtulmus disse que ele, "pessoalmente", achou que a política turca na Síria estava "cheia de erros" desde o princípio, sem entrar em detalhes, mas, acrescentou que agora a Turquia está "reparando e corrigindo" esses equívocos.

O influente porta-voz do governo islamita turco explicou que Ancara está negociando, neste momento, com a Rússia, "primeiro uma boa paz para Aleppo e depois uma boa paz para a Síria".

Apesar de ter destacado que a manutenção no poder do regime de Bashar al Assad "não seria humano", Kurtulmus revelou que a Turquia respaldará qualquer decisão que for tomada na mesa de negociações para terminar com a guerra na Síria.

Quanto às difíceis relações com os Estados Unidos, Kurtulmus manifestou sua esperança de que sob o novo presidente, o republicano Donald Trump, será possível "aliviar a tensão".

"A primeira coisa é o FETÖ", afirmou o vice-primeiro-ministro turco em relação à organização do clérigo Fethullah Gülen, exilado nos EUA e que Ancara acusa de estar por trás da tentativa fracassada de golpe de Estado no dia 15 de julho 2016.

"Inclusive, se (Gülen) ainda não foi extraditado (à Turquia), espero que seja detido de acordo com nosso acordo de cooperação judicial", afirmou Kurtulmus.

A Turquia exige há meses a extradição de Gülen, que vive desde 1999 no exílio, em um recinto de alta segurança, no estado da Pensilvânia.

Sobre o futuro papel dos EUA na região, Kurtulmus opinou que as primeiras declarações de Trump indicam que o país reduzirá sua presença militar no Oriente Médio, enquanto a Rússia ganhou "muito poder" na região por sua intervenção na guerra da Síria.

"Os russos retornaram ao Oriente Médio. Os Estados Unidos deixam que os russos tomem a iniciativa no terreno porque não sabem o que fazer", concluiu o vice-primeiro-ministro turco.

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