Advogado de senador haitiano detido acusa DEA de sequestro

Porto Príncipe, 6 jan (EFE).- Reynold Georges, advogado do senador eleito haitiano detido e ex-líder rebelde Guy Philipe, acusou nesta sexta-feira o Departamento Antidrogas Americano (DEA) de ter sequestrado seu cliente, contra quem pesava uma ordem de detenção sob acusações de tráfico de drogas internacional.

Philipe, eleito senador nas eleições de 20 de novembro do ano passado, foi detido ao sair de uma emissora de rádio em Porto Príncipe. Georges acusou as autoridades haitianas de serem cúmplices no suposto sequestro de Philipe.

O advogado pediu aos parlamentares uma revisão do acordo que permite as operações do DEA no país e do convênio de extradição de cidadãos haitianos aos Estados Unidos.

A transferência de Guy Phillipe para o território americano causou a reação de diferentes setores, alguns dos quais se opõem dada à condição de legislador eleito do detido.

A surpreendente captura do ex-comissário da polícia haitiana, sobre quem pesava uma ordem de prisão internacional emitida pelo DEA há cerca de dez anos, fez com que dezenas de militantes saíssem na quinta-feira às ruas de Pestel, cidade do departamento de Grand Anse, onde Philipe foi eleito senador.

Os manifestantes queimaram pneus e protestaram nas ruas dessa cidade do sul do país, segundo a imprensa local. Também na capital haitiana, um grupo de pessoas foi à sede da diretoria da Polícia Judiciária para exigir a libertação do ex-comissário de polícia que em 2004 liderou a rebelião armada que depôs o então presidente haitiano, Jean Bertrand Aristide.

O ex-candidato presidencial Jean Henry Ceant disse à imprensa local que a detenção do ex-líder rebelde "é um ato irresponsável", ao considerar que Philipe goza de imunidade devido à condição de senador eleito.

Depois do período de convulsão após a queda de Aristide, Philipe se candidatou sem sucesso às eleições de 2006 e no ano seguinte o DEA tentou prendê-lo no Haiti sob acusações de narcotráfico internacional.

Desde então, alternou a clandestinidade com aparições públicas nas quais se movimentava livremente por algumas regiões de seu país, sobretudo por zonas de Grand Anse.

O ex-chefe de polícia foi o candidato presidencial de uma formação aliada ao Partido Haitiano Tet Kale (PHTK) do presidente eleito Jovenel Moise. Philipe sempre negou as acusações que o ligam ao tráfico.

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