Milhares de israelenses pedem unidade social após condenação de soldado

Jerusalém, 7 jan (EFE).- Milhares de israelenses se concentraram neste sábado em Tel Aviv para pedir a unidade da sociedade, dividida pela condenação por homicídio do soldado Elor Azaria, que disparou um tiro na cabeça de um palestino que estava ferido no chão após atacar outro militar em março em Hebron.

A praça Yitzhak Rabin foi o palco da manifestação que reuniu cerca de 3.000 pessoas, segundo a polícia, e que foi convocada por um capitão do exército, Ziv Shilon, ferido em 2012 perto da fronteira com Gaza, informou o jornal "Haaretz".

"Sinto que nossa gente está dividida em dor, ódio, decepção e desespero", escreveu o capitão em sua pagina no Facebook, na qual anunciou sua intenção de comparecer à praça "com um grande sinal de solidariedade e amor recíproco" e pediu que se unissem a ele israelenses de todo o espectro social e político para "abraçar o país".

Na manifestação estiveram presentes alguns deputados do Knesset (parlamento), inclusive Yair Lapid, chefe do Yesh Atid, os líderes da plataforma União Sionista, Isaac Herzog e Tzipi Livni, e Yehuda Glick, do Likud.

Por outro lado, integrantes da organização ultranacionalista judaica Lehava chegaram à praça para realizar uma contramanifestação e pedir a liberdade de Azaria.

Este caso levantou uma grande polêmica desde seu início, em março, quando se divulgou um vídeo no qual se via o militar disparar na cabeça do palestino Abdel Fatah Al-Sherif, de 20 anos, quando não apresentava perigo aparente, como se respaldou na condenação, que argumentou que o jovem apertou o gatilho "sem motivo".

Então, a sociedade israelense ficou divida entre os que defendem a atitude do soldado frente ao que consideram o inimigo palestino e os que acham que o que fez foi imoral e contrário ao código militar, que permite disparar para matar só quando haja um grave risco para a vida ou a integridade.

Mas, desde que se conheceu nesta semana a condenação do tribunal militar que em breve ditará sua sentença, as tensões se dispararam e os próprios magistrados pediram proteção após receber ameaças.

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, se mostrou a favor de pedir o perdão para Azaria, como fizeram outros membros de seu gabinete, mas também pediu respeito àqueles que respaldam a condenação, como o chefe do Estado-Maior, Gadi Eizenkot.

Este último foi duramente criticado por pedir respeito perante o veredito e defender que é preciso manter os princípios e valores do exército.

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