Motim militar continua na Costa do Marfim e chega à capital econômica Abidjan

Abidjan, 7 jan (EFE).- Ex-combatentes integrados no exército da Costa do Marfim mantêm neste sábado sob seu controle várias cidades do país, após terem se amotinado ontem pela falta de pagamento de complementos salariais, e estenderam seu protesto para os arredores da capital econômica Abidjan.

No campo militar de Akouédo, em Abidjan, foram ouvidos disparos esta manhã, como desdobramento da sublevação que esta facção do exército iniciou ontem em Bouaké, no centro do país, e que lhe permitiu dominar outras cidades.

"Militares visivelmente alterados ergueram uma barricada em frente ao acampamento de Akouédo", declarou uma testemunha ao site de notícias local "Abidjan".

Devido à proximidade do quartel militar, a via que liga Bingerville - um subúrbio de Abidjan - com o centro da cidade foi fechada ao trânsito, enquanto também foram ouvidos tiros em outro bairro dos arredores, Anyama, segundo os moradores.

O motim começou na madrugada de sexta-feira em Bouaké, a segunda cidade mais importante do país, e se estendeu nas horas posteriores às localidades de Korhogo e Odienne, no norte; Daloa, no oeste; Daoukro, no centro, e Bondoukou, no leste.

O presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, deixou hoje Abidjan para assistir em Gana à posse do novo líder do país vizinho, Nana Akufo-Addo.

O ministro da Defesa, Alain Richard Donwahi, por sua vez viajará hoje a Bouaké para iniciar conversas com os amotinados, disposto a atender às reivindicações dos ex-combatentes se estas "tiverem fundamento", conforme ele mesmo disse em declarações veiculadas pela televisão marfinense.

Os militares exigem melhores condições de trabalho com o aumento dos salários e a quitação de gratificações que não foram pagas desde o fim da guerra civil, em 2011, entre outras medidas, segundo Donwahi.

A revolta desta facção do exército começou precisamente em Bouaké, antiga capital da rebelião contra o ex-presidente Laurent Gbagbo, que controlou a metade norte do país até 2011 e apoiou o atual presidente, Alassane Ouattara.

Em novembro de 2014, uma greve de ex-combatentes integrados no exército e descontentes com a demora no pagamento de seus salários se estendeu de Bouaké a Abidjan e outras cidades.

Na origem desta onda de protestos se encontravam antigos elementos rebeldes, integrados nas forças de segurança nacionais após o acordo de paz de Ouagadogou, em Burkina Fasso, assinado em 2007.

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