Povo guarani constitui primeiro sistema de autogoverno indígena na Bolívia

La Paz, 8 jan (EFE).- O povo guarani constituiu neste domingo o primeiro sistema de autogoverno indígena na região denominada Charagua Yyambae, no leste da Bolívia, como resultado da eleição de suas autoridades por normas próprias e com base em estatutos aprovados em consultas e referendos com ampla participação.

O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, e o porta-voz do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), José Luis Exeni, assistiram em uma distante região do país à posse das novas autoridades e ao início do modelo de administração denominado "governo da Autonomia Guarani Charagua Iyambae".

O novo sistema está formado por 46 autoridades que legislarão e regerão para uma população superior a 32.000 moradores em Charagua, onde metade deles se identifica como guaranis e um terço fala a língua dessa etnia, segundo dados oficiais.

Charagua se encontra 260 quilômetros ao sul da cidade de Santa Cruz (leste), capital do departamento do mesmo nome, e conta com um território de 74.424 quilômetros quadrados.

Um dos líderes guaranis da região, o Capitão Grande Darwin Castro, disse em discurso que esses novos representantes são "guerreiros" nos quais o povo confia e lhes pediu para conduzir da melhor forma possível a autonomia com a qual agora fazem história.

"Neste novo processo somente nos resta apoiar-nos uns nos outros para que esta autonomia seja a melhor maneira de administrar nossos recursos como estabelece nosso estatuto", acrescentou.

O vice-presidente García Linera também destacou em discurso que se trata do primeiro exemplo de autonomia indígena na história da Bolívia, após um período longo de luta dos guaranis desde que chegaram a esses territórios há 600 ou 700 anos.

Linera declarou que os guaranis fizeram-se respeitar pelo império inca, depois enfrentaram a colônia espanhola e os fazendeiros apoiados pelo Estado republicano boliviano, que no século XIX os reprimiu com tropas que provocaram um massacre.

O inédito sistema está constituído por um Órgão de Decisão Coletiva, formado, por sua vez, por uma assembleia comunal, uma zonal e uma autônoma; um Órgão Legislativo e outro Executivo.

García Linera lembrou que a Bolívia estará atenta ao desenvolvimento do autogoverno em Charagua para ver se é possível um sistema democrático com base em assembleias, diferente do modelo tradicional do município, que é um sistema da democracia representativa.

O vice-presidente recomendou que os guaranis de Charagua atuem sempre "sentindo-se controlados pela Bolívia" para constatar se é possível replicar esse exemplo de gestão política democrática.

"A chave de uma autonomia indígena é a combinação dos duas tarefas: novo tipo de democracia altamente participativa e elevada eficácia administrativa. Não vai ser fácil porque tudo é novo", considerou.

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