Costa do Marfim recupera calma após acordo com exército sublevado

Abidjan, 9 jan (EFE).- A Costa do Marfim recuperou nesta segunda-feira a atividade diária e a calma nas ruas após o motim de militares pertencentes a uma facção do exército que se sublevaram em várias cidades desde a última sexta-feira para exigir melhorias salariais.

Na capital econômica, Abidjan, as ruas voltavam à rotina nesta manhã, com os estabelecimentos comerciais reabrindo as portas no distrito de Adjamé e os cidadãos retornando a seus escritórios em Plateau, o centro de negócios da cidade, conforme pôde constatar a Agência Efe.

Além disso, o trânsito voltou a circular pela primeira vez depois que os militares amotinados abandonaram na madrugada de domingo as ruas das cidades onde se sublevaram.

No entanto, os sindicatos já anunciaram uma greve para pedir melhores condições de trabalho.

O motim na Costa do Marfim começou na madrugada da sexta-feira na cidade de Bouaké e se estendeu às localidades de Korhogo e Odienne, no norte; Daloa, no oeste; Daoukro, no centro; Bondoukou, no leste, e mais tarde até Abidjan.

Os sublevados exigiam melhores condições de trabalho com o aumento dos salários e a quitação de gratificações que não foram pagas desde o fim da guerra civil, em 2011, entre outras medidas.

O presidente do país, Alassane Ouattara, anunciou no sábado pela noite um acordo para atender às reivindicações dos militares e pôr fim ao motim durante uma declaração pública feita em Abidjan.

"Confirmo meu acordo para levar em conta as reivindicações relativas às gratificações e à melhora de suas condições de vida e de trabalho", declarou Ouattara ao término de um conselho de ministros extraordinário.

Em seguida, o presidente pediu aos insurgentes que depusessem as armas "para permitir a execução dessas medidas com calma".

No entanto, os ex-combatentes em Bouaké, decidiram tomar o ministro da Defesa, Alain Richard Donwahi, como refém até que conhecessem em detalhes como seriam aplicadas as medidas anunciadas pelo presidente.

Donwahi foi libertado horas depois na residência do subprefeito de Bouaké, onde aconteceu o encontro entre a delegação governamental e os militares insurgentes para pôr fim ao motim.

Bouaké, lugar de origem da revolta, é a antiga capital da rebelião contra o ex-presidente Laurent Gbagbo que controlou a metade norte do país até 2011 e apoiou o atual presidente.

Em novembro de 2014, uma greve de ex-combatentes integrados no exército e descontentes pelas demoras no pagamento de seus salários se estendeu de Bouaké a Abidjan e outras cidades.

Na origem desta onda de protestos se encontravam antigos elementos rebeldes, integrados nas forças de segurança nacionais após o acordo de paz de Ouagadogou, em Burkina Fasso, assinado em 2007.

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