Embaixador japonês deixa Seul após polêmica por estátua de escrava sexual

Em Seul e Tóquio

  • Yeo Joo-yeon/News1 via Reuters

    30.dez.2016 - Sul-coreanos depositam flores em estátua que lembra vítimas de exploração sexual por militares japoneses durante protesto diante do consulado japonês em Busan, na Coreia do Sul

    30.dez.2016 - Sul-coreanos depositam flores em estátua que lembra vítimas de exploração sexual por militares japoneses durante protesto diante do consulado japonês em Busan, na Coreia do Sul

O embaixador do Japão na Coreia do Sul, Yasumasa Nagamine, voltou nesta segunda-feira (9) a seu país em protesto pela colocação de uma estátua em homenagem às escravas sexuais em frente ao consulado japonês na cidade sul-coreana de Busan.

Como resultado do forte desencontro diplomático entre os dois países vizinhos, o cônsul geral do Japão em Busan, Yasuhiro Morimoto, também deixou hoje a Coreia do Sul.

Ambos podem ficar no Japão por cerca de uma semana, segundo fontes diplomáticas citadas pela agência "Kyodo".

Ao deixar o país, Nagamine declarou aos veículos de imprensa japoneses que a instalação da estátua era "muito lamentável" e por isso estava voltando "para casa".

O governo japonês decidiu convocar seu embaixador em Seul para consultas na sexta-feira passada em protesto pela instalação da polêmica estátua na semana anterior por uma organização civil, após a aprovação do governo local.

A escultura, a segunda deste tipo colocada em frente a missões diplomáticas do Japão na Coreia do Sul, representa uma menina descalça vestida com o traje tradicional sul-coreano, e simboliza as vítimas de abusos sexuais cometidos pelas tropas japonesas.

Calcula-se que cerca de 200 mil meninas e adolescentes - a maioria coreanas - foram vítimas desses abusos desde a década de 1930 e, sobretudo, no final da Segunda Guerra Mundial.

O conflito das escravas sexuais, chamadas eufemisticamente de "mulheres de conforto", causou frequentes atritos nas últimas décadas entre Coreia do Sul e Japão, e se transformou no principal empecilho em suas relações bilaterais.

Os governos de ambos os países assinaram no final de 2015 um acordo para encerrar o assunto, que contempla as desculpas oficiais do Japão e uma compensação econômica de 1 bilhão de ienes (cerca de R$ 27,5 milhões) para restaurar "a honra e a dignidade" das vítimas.

A instalação da estátua responde agora ao protesto de certas organizações de apoio às vítimas, que se opuseram ao acordo por considerá-lo insuficiente.

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