Exxonmobil negociou com Irã e outros países sancionados pelos EUA, diz jornal

Nova York, 9 jan (EFE).- A companhia petrolífera americana Exxonmobil estabeleceu uma relação comercial com o Irã e outros países sancionados pelos Estados Unidos quando o candidato a ocupar a Secretaria de Estado, Rex Tillerson, era um dos dirigentes da empresa, revelou nesta segunda-feira o jornal "USA Today".

Segundo o jornal, a Exxonmobil fez negócios com Irã, Síria e Sudão através da Infineum, uma filial europeia, em 2003, 2004 e 2005, anos nos quais os EUA tinham sanções impostas contra os três países, por considerá-los defensores de terrorismo.

Os dados constam em documentos da Comissão de Valores (SEC, na sigla em inglês) e apontam que, de 2003 a 2006, a subsidiária da Exxonmobil realizou vendas ao Irã no valor de US$ 53,2 milhões, ao Sudão no valor de US$ 600 mil, e à Síria no valor de US$ 1,1 milhão.

O "USA Today" destacou que estes dados foram recopilados pelo grupo de investigação política American Bridge, vinculado ao Partido Democrata.

A Exxonmobil se defendeu destas acusações alegando que as transações realizadas com Irã, Síria e Sudão eram legais, já que a Infineum tinha sua base na Europa e que nas transações comerciais não participaram cidadãos americanos.

"Estas são todas atividades legais que respeitam as sanções daquele momento. Não pensamos que sejam significativas pelo tamanho das transações", disse ao "USA Today" o porta-voz da Exxonmobil, Alan Jeffries.

"(A Infineum) tem uma gestão independente. E não é uma entidade americana", ressaltou Jeffries.

A informação é revelada dois dias que Tillerson, indicado como o próximo secretário de Estado americano pelo presidente eleito, Donald Trump, participe de uma audiência de ratificação perante o Senado na quarta-feira.

A designação de Tillerson por Trump é uma das que mais gerou polêmica, já que o indicado para dirigir a diplomacia americana tem boas relações com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Esta é uma circunstância especialmente sensível em um momento de tensões entre Washington e Moscou, devido ao relatório da inteligência americana que aponta para a ingerência russa nas eleições presidenciais por meio de ataques informáticos.

"Encontrar lacunas para fazer negócios lucrativos com adversários geopolíticos (...) não é algo que melhore o curriculum de um possível chefe da diplomacia", opinou hoje o senador democrata por Nova Jersey, Bob Menendez.

Tillerson, que dirigiu Exxonmobil de 2006 até o dia 1º janeiro deste ano, após ter trabalhado para a companhia desde 1975, conhece Putin desde os tempos do presidente Boris Yeltsin (1991-1999) e inclusive foi condecorado pelo governo russo.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos