Paquistão diz ter atingido capacidade para responder a ataque nuclear

Em Islamabad

  • ISPR via AFP

    Imagem divulgada pelo Escritório de Comunicação do Exército (ISPR, sigla em inglês) mostra lançamento de um míssil submarino

    Imagem divulgada pelo Escritório de Comunicação do Exército (ISPR, sigla em inglês) mostra lançamento de um míssil submarino

O Paquistão afirmou nesta segunda-feira (9) que atingiu capacidade para responder a um ataque atômico que possa destruir suas instalações nucleares terrestres, após o teste bem sucedido de um míssil com capacidade nuclear de uma plataforma submarina no Oceano Índico.

O porta-voz do Escritório de Comunicação do Exército (ISPR, sigla em inglês), o major-general Asif Ghafoor, anunciou em comunicado o primeiro lançamento de um míssil submarino que "alcançou seu alvo com precisão".

O míssil Babur 3 "proporciona capacidade de responder a um ataque nuclear" ao poder lançar mísseis do mar caso as instalações nucleares terrestres sejam destruídas.

A teoria militar entende que os primeiros alvos de um ataque atômico seriam as instalações nucleares do inimigo, por isso que a capacidade para responder a um ataque que destrua os armazéns de mísseis ("second strike capability") torna possível que este armamento sobreviva e permite o contra-ataque.

"A capacidade de responder a um ataque nuclear representa uma conquista científica e é uma manifestação da estratégia mesurada do Paquistão perante as atitudes adotadas pelos vizinhos", de acordo com o comunicado.

Os militares acrescentaram que trata-se de "um passo adiante no fortalecimento da política de dissuasão mínima".

O chefe do Estado-Maior do exército paquistanês, o general Zubair Mahmood Hayat, presenciou o teste ao lado de outros comandantes do alto escalão militar.

O primeiro-ministro do país, Nawaz Sharif, parabenizou as forças armadas pelo lançamento, que considerou uma demonstração "do progresso tecnológico de auto-suficiência" do Paquistão.

"O Paquistão mantém sempre uma política de coexistência pacífica, mas este teste é um reforço na política de dissuasão", afirmou o dirigente.

O Paquistão mantém desde a sua independência, em 1947, uma corrida armamentista com a Índia, país com o qual travou três guerras e vários conflitos menores.

O governo paquistanês testou no final do ano passado um míssil de cruzeiro Babur, capaz de transportar ogivas nucleares e com alcance de 700 quilômetros, que é suficiente para atingir a capital indiana.

A Índia, por sua vez, lançou com sucesso no final de 2016 seu míssil balístico Agni V, com capacidade nuclear e alcance de aproximadamente 5 mil quilômetros.

As relações entre os dois países atravessam neste momento uma crise, com enfrentamentos na fronteira que deixaram dezenas de mortos e retaliações diplomáticas.

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