Deportar "sonhadores" não é prioridade de Trump, diz indicado para Segurança

Washington, 10 jan (EFE).- O general reformado John Kelly, indicado para comandar o Departamento de Segurança Nacional (DHS) dos Estados Unidos, disse nesta terça-feira não acreditar que deportar os jovens imigrantes ilegais que chegaram ao país ainda crianças e são conhecidos como "dreamers" ("sonhadores") será uma prioridade do governo de Donald Trump.

Durante a sabatina de confirmação no Senado para dirigir a agência responsável pelo controle de imigração, Kelly foi questionado pela senadora democrata Kamala Harris se o presidente eleito dos EUA expulsará os 750 mil jovens acolhidos por um alívio da deportação sob o governo de Barack Obama.

"Há um grande espectro de gente com o qual temos que lidar em termos de deportações. Eu suponho que esta categoria (a dos "sonhadores") não será a prioridade mais alta nas expulsões", respondeu Kelly.

No entanto, o general reformado garantiu que não esteve "envolvido" nas conversas da equipe de Trump para "desenvolver a política sobre imigração" do governo que tomará assumirá o comando do país em 20 de janeiro.

Os 750 mil jovens imigrantes ilegais acolhidos pelo programa de Ação Diferida (Daca) lançado em 2012 por Obama mediante ação executiva enviaram seus dados ao governo para poder solicitar o alívio migratório e muitos ativistas de imigração temem agora que Trump use esses mesmos detalhes para localizá-los e deportá-los.

Kelly não respondeu diretamente à pergunta sobre se Trump poderia fazer isso, mas ressaltou que o DHS tem "uma capacidade limitada para executar a lei" no que se refere às deportações, dada a quantidade de imigrantes ilegais (cerca de 11 milhões) que vivem no país.

"Focaremos nas prioridades mais altas. Na minha opinião, com os recursos limitados que temos para aplicar a lei, os indivíduos que cumprem a lei não estariam provavelmente no topo da lista", acrescentou.

Durante a campanha eleitoral, Trump afirmou que os "sonhadores" seriam deportados, assim como o resto dos imigrantes ilegais que vivem no país, mas após vencer as eleições adotou um tom mais ambíguo e disse que a decisão que tomar fará com que as pessoas estejam "contentes e orgulhosas".

"Eles foram trazidos aqui muito jovens, trabalharam aqui, estudaram aqui. Alguns foram bons estudantes. Alguns têm trabalhos maravilhosos. E estão em uma terra de ninguém porque não sabem o que vai acontecer", reconheceu o presidente eleito em entrevista à revista "Time" em dezembro.

As palavras de Kelly se chocam com as expressadas hoje pelo indicado de Trump para o Departamento de Justiça, o senador Jeff Sessions, que disse que apoiaria acabar com o Daca, um programa que chamou de "anistia em massa".

Sessions considerou "muito questionável" a constitucionalidade desse plano migratório, que, ao ter sido colocado em vigor por decreto, pode ser eliminado por Trump fazendo uso do mesmo poder Executivo.

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