Sessions promete ser contrapeso a Trump como novo procurador-geral dos EUA

(Atualiza com declarações de Sessions).

Washington, 10 jan (EFE).- O senador republicano Jeff Sessions, indicado por Donald Trump para ser seu procurador-geral, se comprometeu nesta terça-feira diante de um comitê do Senado a exercer um papel de contrapeso no futuro governo dos Estados Unidos e a dizer "não" ao milionário nova-iorquino se este "se exceder" em seu poder.

Sessions fez essas declarações na primeira de suas audiências no comitê judicial do Senado, destinada a avaliar sua designação como procurador-geral do futuro governo de Donald Trump e que foi interrompida em várias ocasiões por manifestantes que gritaram: "Não a Trump, não ao fascismo nos EUA, não ao Ku Klux Klan (KKK)".

Senador pelo estado do Alabama durante 20 anos e conhecido por suas duras posições em relação à imigração, Sessions defendeu a independência do Departamento de Justiça dos EUA e considerou que qualquer um que desempenhar esse cargo deve estar "comprometido a seguir a lei" e ser fiel à Constituição do país.

"(Essa pessoa) deve estar comprometida a seguir a lei. Ele ou ela devem estar dispostos a dizer 'não' ao presidente se este se exceder. Não deve ser uma pessoa que autoriza sem questionar", afirmou Sessions.

Em sua declaração, Sessions rotulou de "falsas" algumas das acusações que foram feitas contra ele, como a de que perseguiu defensores dos direitos civis dos afro-americanos e apoiou o grupo racista Ku Klux Klan durante sua etapa como procurador do distrito sul do Alabama (1981-1993).

"Abomino o Ku Klux Klan, o que ele representa e sua ideologia de ódio", garantiu Sessions, que não mencionou em sua declaração as constantes interrupções dos manifestantes.

O senador focou seu discurso na "perigosa tendência" de aumento do crime que os EUA estão vivendo nos últimos anos.

Para evidenciar o aumento da criminalidade nos EUA, Sessions citou as últimas estatísticas do FBI, a polícia federal investigativa dos EUA, que mostram um aumento de todo tipo de crimes de 4% entre 2014 e 2015, período no qual os assassinatos cresceram 11%, o maior aumento desde 1971.

Se for confirmado como procurador-geral, Sessions se comprometeu a processar os que "violam repetidamente" as fronteiras dos Estados Unidos, perseguir os crimes de armas de fogo e criar alianças com os departamentos de polícia locais para acabar com as gangues e os cartéis do narcotráfico.

Está previsto que testemunhem neste terça-feira contra Sessions o senador Cory Booker e o congressista John Lewis, um histórico ativista do movimento pelos direitos civis dos afro-americanos.

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