Ex-espião autor de suposto relatório sobre Trump segue na ativa, diz Rússia

Londres, 12 jan (EFE).- O governo da Rússia acredita que o ex-espião do MI6 que supostamente elaborou um relatório negativo sobre o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, pode seguir trabalhando para os serviços de inteligência britânicos, segundo afirmou nesta quinta-feira a embaixada russa em Londres.

Em mensagem postada no Twitter, a diplomacia do Kremlin lembrou hoje que os agentes britânicos "nunca" deixam de trabalhar para os serviços de inteligência do Reino Unido, deixando no ar que o ex-espião ainda está na ativa.

O agente foi identificado pelos veículos de comunicação nos Estados Unidos e no Reino Unido como Christopher Steele, de 52 anos, um dos fundadores da companhia de investigação Orbis Business Intelligence Ltd, com sede na capital britânica.

O jornal ""The Daily Telegraph"" informou hoje que Steele, que espionou em Moscou para o MI6 nos anos 90, preparou o documento que afirma que o Kremlin se relacionou com a campanha eleitoral de Trump e que os serviços secretos russos têm material sensível sobre o presidente eleito que poderia ser utilizado contra sua pessoa.

O tweet divulgado hoje pela embaixada russa consta de um texto escrito sobre uma fotografia em preto e branco de três pontos de interrogação: "A história de Christopher Steele: os agentes do MI6 nunca são ex-: informando em ambos sentidos - contra a Rússia e o presidente dos Estados Unidos".

Antes da publicação dessa mensagem, uma porta-voz da primeira-ministra britânica, a conservadora Theresa May, se recusou a confirmar se o governo prestou assistência a Steele, que deixou na quarta-feira sua casa em Surrey, no sul de Londres, ao perceber que seu nome apareceria na imprensa e agora teme por sua segurança, segundo "The Daily Telegraph".

A porta-voz só confirmou que existe um "processo padrão" para proteger indivíduos que desempenham ou desempenharam cargos especiais e cujas identidades se tornaram públicas.

Segundo o "Telegraph", o trabalho de Steele foi financiado primeiro pelos republicanos contrários a Trump e depois pelos democratas, durante a campanha para as eleições americanas de 2016.

Trump, que assumirá o cargo no próximo dia 20 de janeiro, qualificou as acusações de falsas.

Durante vários meses, Steele contou a jornalistas sobre o que sabia de Trump por suas fontes na Rússia, após ser contratado por uma companhia de Washington para coletar informação sobre os vínculos do hoje presidente eleito com Moscou.

O documento, de 35 páginas, contém vários relatórios elaborados durante um período de seis meses, ao qual jornalistas nos EUA tiveram acesso há alguns meses, mas só recebeu crédito quando as emissoras desse país informaram que Trump e o presidente Barack Obama receberam dos serviços de inteligência um resumo de seu conteúdo, lembrou o jornal britânico.

Após deixar o MI6, Steele fundou a Orbis Business Intelligence Ltd com seu sócio, Christopher Burrows, em 2009, de acordo com o "Telegraph". Em seu site, essa empresa afirma dispor de recursos de investigação sofisticados para empresas.

Trump admitiu na quarta-feira que a Rússia está por trás dos ciberataques nas eleições, mas negou qualquer vínculo com eles, ao mesmo tempo em que criticou alguns veículos de comunicação que publicaram matérias nesse sentido, aos quais qualificou como "lixo". EFE

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