HRW alerta sobre onda de populismo que ameaça prejudicar direitos humanos

Washington, 12 jan (EFE).- A Human Rights Watch (HRW) alertou sobre a existência de uma crescente onda de populismo no mundo que ameaça prejudicar os direitos humanos e que está personificada por líderes como o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Essa é a principal conclusão do último relatório anual da organização, que alerta sobre o "perigoso" avanço do populismo no mundo e dos ataques aos valores de diretos humanos em diferentes países como os EUA, Turquia, Egito, Rússia, Venezuela, Cuba e China.

"Se prevalecer a atração do líder autoritário e as vozes intolerantes, o mundo corre o risco de entrar em uma etapa obscura", alertou a ONG, que apresenta o relatório em Washington.

A HRW cita uma "nova geração de populistas" que pretende falar em nome do povo e que está colocando em risco os direitos humanos. Para a organização, esses líderes consideram os direitos como um "obstáculo para o que eles entendem como a vontade da maioria".

"A xenofobia, o racismo e a islamofobia estão no auge", alertou a HRW, que compara os novos "demagogos" com fascistas e comunistas do século passado.

A organização afirmou que a campanha presidencial de Trump foi um exemplo da "política de intolerância", tendo baseada em ataques às mulheres, às pessoas com incapacidade, aos muçulmanos e aos imigrantes ilegais, a quem prometeu deportar.

"Algumas vezes abertamente, outras mediante códigos e indiretas, Trump focou no descontentamento de muitos norte-americanos com a estagnação econômica e com uma sociedade cada vez mais multicultura, de um modo que quebrou princípios básicos de dignidade e igualdade", argumenta a HRW no relatório.

A HRW também avisou sobre o "avanço do autoritarismo" no Egito sob o governo do presidente Abdul Fatah al Sisi e na Turquia, onde o fracassado golpe de Estado do ano passado serviu para que o presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, reprimisse dezenas de milhares de pessoas consideradas simpatizantes dos golpistas.

Dentro da onda populista, a HRW alerta sobre uma nova "fascinação pelo autoritarismo" e pela paixão despertada pelos líderes percebidos como fortes pela população. Esse perfil se faz presente, diz a ONG, em figuras como a do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o da China, Xi Jinping.

A HRW também falou que a revolução bolivariana na Venezuela, iniciada pelo presidente falecido Hugo Chávez, e agora mantida por seu sucessor, Nicolás Maduro, provocou a "ruína econômica dos segmentos de menos recursos da sociedade".

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