Indicado de Trump para Secretaria de Estado desperta dúvidas no Senado

Washington, 12 jan (EFE).- A indicação do empresário Rex Tillerson para a Secretaria de Estado dos Estados Unidos gera dúvidas entre vários senadores que nesta quinta-feira se mostraram decepcionados por sua atuação ontem em sua audiência de confirmação para o cargo, o que poderia pôr em perigo sua entrada no gabinete de Donald Trump.

O senador democrata Jeff Merkley anunciou hoje que votará contra Tillerson, enquanto alguns de seus companheiros mais influentes, como o democrata Chuck Schumer e os republicanos John McCain e Marco Rubio, expressaram dúvidas sobre a capacidade do ex-chefe da companhia petrolífera Exxonmobil para dirigir a diplomacia dos EUA.

"Sua atuação ontem foi muito decepcionante", disse Merkley em relação às nove horas de audiência de Tillerson perante o Comitê de Relações Exteriores do Senado.

"Decididamente vou votar contra", acrescentou o senador, que pertence ao Comitê das Relações Exteriores, em entrevista à emissora "CNN".

As principais preocupações dos senadores são a longa relação pessoal de Tillerson com o presidente russo, Vladimir Putin, e os possíveis conflitos de interesse derivados dessa amizade e de seu cargo anterior como presidente de uma petrolífera com negócios no mundo todo.

Outros se mostraram preocupados pelos relatórios que apontam que a Exxonmobil pressionou o governo americano para que suspendesse as sanções impostas à Rússia após a anexação da península ucraniana da Crimeia em 2014, embora Tillerson tenha negado durante a audiência ter se envolvido nessa atividade.

O senador Merkley e seu colega democrata Robert Menéndez denunciaram, além disso, que uma companhia subsidiária da Exxon na Europa, chamada Infineum, fez negócios com o Irã quando isso estava proibido pelas sanções americanas.

Perguntado a respeito na audiência, Tillerson assegurou que não lembrava "as circunstâncias" dessa suposta transação.

Outros senadores se mostraram alarmados pela afirmação de Tillerson de que não tinha conversado com Trump sobre a política com a Rússia, ou por sua reticência a condenar a campanha contra as drogas do presidente filipino, Rodrigo Duterte, cujas forças de segurança executaram 6.100 pessoas.

O senador republicano Marco Rubio, que protagonizou o interrogatório mais duro sobre Tillerson durante a audiência, não quis antecipar se respaldaria o indicado por Trump, mas disse que estava "preparado para fazer o correto", inclusive se o resto de seu partido votasse em outro sentido.

O senador McCain, presidente do Comitê das Forças Armadas e líder da minoria, também afirmou hoje a jornalistas que não tinha decidido ainda se respaldaria Tillerson no plenário do Senado.

Por sua vez, um dos democratas mais influentes, o líder da maioria Chuck Schumer, expressou suas preocupações sobre o empresário.

"Se o senhor Tillerson nem sequer pode dizer que apoiará as sanções existentes (à Rússia), que tipo de secretário de Estado será? Estou preocupado", declarou Schumer.

Se os dez democratas que integram o Comitê de Relações Exteriores do Senado votarem contra Tillerson e a eles se somasse Rubio ou outro dos 11 republicanos do painel, a indicação poderia ser referida ao plenário da Câmara com uma mensagem de "sem recomendação", explicaram à Agência Efe fontes legislativas.

Isso poderia suscitar uma complicada batalha de confirmação no plenário do Senado, e representaria uma humilhação para um dos candidatos de maior renome indicados por Trump.

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