Líderes começam a discutir reunificação do Chipre em reunião

Genebra, 12 jan (EFE).- O presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, e o líder turco-cipriota, Mustafá Akinci, começaram a discutir nesta quinta-feira com Turquia, Grécia e Reino Unido a reunificação do país, com o objetivo de avançar na futura estrutura de segurança e a questão de garantias.

A conferência, considerada "histórica" pela ONU, que media o diálogo de paz entre gregos e turcos-cipriotas, conta com a presença dos ministros de Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, da Grécia, Nikos Kotzias, e do Reino Unido, Boris Johnson.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, abriu o encontro, no qual também participam em nome da União Europeia (UE) o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. A chefe da diplomacia do bloco, Federica Mogherini, em qualidade de observadora e parte interessada, já que o Chipre é membro da UE desde 2004.

A reunião é histórica já que é a primeira vez que os países fiadores abordam com os cipriotas a estrutura de segurança de um Chipre reunificado, a questão da permanência ou não no futuro das tropas turcas que invadiram e ocuparam a parte norte da ilha em 1974, além da manutenção das garantias estabelecidas em tratados firmados em 1960.

Os tratados representaram o nascimento da República do Chipre independente do controle do Reino Unido, mas permitem que os países fiadores intervenham para restabelecer a ordem constitucional.

A Turquia, que ainda mantém 30 mil soldados na ilha, é considerada como elemento-chave no encontro, assim como a Grécia.

É a primeira vez que representantes turcos se sentam à mesa com o Chipre para abordar a questão. Nos últimos dias, as declarações de Ancara e Atenas evidenciaram, porém, que ainda persistem as diferenças sobre a segurança e futuras garantias.

A Grécia e Anastasiadis, que participa da conferência como presidente do Chipre não como líder greco-cipriota, querem abolir o sistema de garantias que ambos consideram como um "anacronismo". A Turquia, porém, quer mantê-lo.

Anastasiadis e o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, destacaram repetidamente que um país-membro da UE não precisa de fiadores.

O Reino Unido, por sua vez, tem duas bases militares na parte greco-cipriota pra ilha. Johnson afirmou pelo Twitter que apoia que todas as partes mostrem "flexibilidade e criatividade" para encontrar uma solução para a questão.

Antes do início da conferência, várias reuniões bilaterais entre as diferentes partes foram realizadas. Guterres encontrou com Akinci e Anastasiadis para dar um último impulso ao diálogo.

O enviado especial da ONU para o Chipre, Espen Barh Eide, disse que esse não deve ser o fim do processo, mas um bom "ponto de partida".

A ONU manteve propositalmente aberta a data do fim da conferência, de modo que ela pode se prolongar além de hoje e ser retomada caso haja alguma suspensão.

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