ONU denuncia prisão de motoristas que participaram de retirada de Aleppo

Genebra, 12 jan (EFE).- Motoristas que participaram da retirada de civis de Aleppo e que pretendiam fazer o mesmo nas localidades sírias de Fua e Kafraya estão presos há semanas e também tiveram seus veículos retidos por grupos da oposição no país.

A denúncia foi feita pelo enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, que disse que essas pessoas - todos cidadãos sírios - devem ser libertadas de forma imediata.

"A situação em Fua e Kafraya nos preocupa. Essas duas localidades são as únicas que estão sendo sitiadas pelos grupos da oposição: 23 motoristas foram retirar doentes e feridos e, na segunda viagem, não puderam sair mais de lá", disse o diplomata aos jornalistas.

No fim do ano passado, o regime de Bashar al Assad e os grupos de oposição firmaram um acordo para retirar civis do norte de Aleppo, sitiada durante seis meses, e sob uma forte ofensiva do governo apoiada pela Força Aérea da Rússia.

Após o processo de evacuação ter se iniciado sem problemas, houve uma interrupção porque o Irã - aliado de Al Assad - exigiu também que os ônibus retirassem civis de Fua e Kafraya, cidades com maioria xiita, assim como o regime dos aiatolás, e sitiadas pela oposição.

Houve acordo entre as partes, mas, na segunda viagem às duas localidades, os 23 motoristas foram presos e não mais puderam sair.

Por outro lado, o mediador alertou que os combates na região de Wadi Barada, nos arredores de Damasco, devem ser interrompidos por bloquearem o fornecimento de água a 5 milhões de pessoas e porque também colocam em risco a atual trégua, em vigor desde dezembro.

"Existe o perigo que essa situação persista. Se acredita que uma nova escalada no conflito coloque em perigo a cessação de hostilidades. É por isso que esse tema é crucial", afirmou.

De Mistura disse que há engenheiros prontos para atuar no sistema de distribuição de água com assessoria da ONU, mas destacou ser necessário existir um mínimo de segurança para poder trabalhar.

Mesmo não havendo movimentos de tropas na região, o enviado especial da ONU afirmou que toda a escalada deve ser evitada para que as partes cheguem à reunião de Astana dispostas a negociar.

Sobre o encontro convocado por Turquia e Rússia, o mediador disse que a reunião avança e que, em princípio, está convocada para o próximo dia 23. No entanto, ainda não há convite formal.

De Mistura lamentou o fato que, apesar do fim das hostilidades, a ONU ainda não foi autorizada a acessar localidades sitiadas para poder distribuir auxílio emergência.

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