ONU descarta soluções imediatas para reunificação do Chipre

Genebra, 12 jan (EFE).- O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse nesta quinta-feira que "não dá para esperar milagres nem soluções imediatas" nas negociações realizadas nesta semana em Genebra para a reunificação do Chipre.

"Não estamos aqui para qualquer solução rápida, mas para uma solução sólida e sustentável", disse o líder das Nações Unidas em encontro com a imprensa, no qual apareceu ao lado do presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, e do líder turco-cipriota, Mustafa Akinci.

Guterres disse que as negociações focam na concepção dos instrumentos que seriam necessários para a aplicação de um eventual acordo de reunificação, que "teria que dar garantias simultâneas às preocupações de segurança de ambas as partes".

O diplomata português participa da primeira conferência que reúne os líderes das comunidades greco e turco-cipriota com os chefes de diplomacia de Turquia, Grécia e Reino Unido, os três países que em 1960 se comprometeram em um tratado a garantir a segurança e a independência do Chipre.

"Isto é histórico. É a primeira vez que se reúnem em uma mesma mesa os dois protagonistas com os fiadores", ressaltou o secretário-geral.

Sobre a primeira parte da conferência, realizada a portas fechadas, Guterres comentou que ela ocorreu de maneira "extremamente construtiva", mas que foi nos diálogos durante a refeição que houve uma importante troca de ideias para solucionar os assuntos em discordância.

"Identificamos e analisamos a complexidade de certos problemas sobre segurança e garantias que têm que ser resolvidos", declarou.

A Turquia tem mobilizados 30 mil soldados no norte da ilha desde sua invasão em 1974, seguida por um golpe de Estado apoiado pelos coronéis gregos, enquanto o Reino Unido mantém duas bases militares na parte meridional, controlada pelos greco-cipriotas.

"Obviamente, ainda há caminho a ser percorrido e temos que continuar. Chegamos perto do que se refere a (criação de) uma federação bicomunal e bizonal. Isto não é um acordo entre líderes, mas terá que ser submetido a consulta popular (nas partes greco e turco-cipriota) e, como sabemos por experiências recentes, isto não é um exercício fácil", concluiu.

Em 2004, o plano de reunificação apoiado pela ONU e aprovado pelos três países fiadores foi rejeitado em referendo por uma arrasadora maioria dos greco-cipriotas.

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