Casa Branca espera que Trump respeite mudança de política migratória com Cuba

Washington, 13 jan (EFE).- A Casa Branca ressaltou nesta sexta-feira que o fim da política de "pés secos/pés molhados" para os imigrantes cubanos está incluído em um acordo bilateral com Cuba, e lembrou ao presidente eleito dos EUA, Donald Trump, que a "tradição" da história presidencial consiste em respeitar esse tipo de pacto.

"Esta mudança de política ficou codificada em um acordo executivo entre o governo dos EUA e o de Cuba", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, em sua entrevista coletiva diária.

"Há uma tradição que os presidentes subsequentes observem e adiram aos acordos executivos feitos com outros países pelo presidente anterior, a não ser, claro, que se tome uma decisão específica de mudar a política", acrescentou Earnest.

O porta-voz do atual presidente americano, Barack Obama, garantiu, além disso, que a Casa Branca informou à equipe de transição de Trump sobre a mudança na política migratória com Cuba "pouco antes que se tornasse pública" nesta quinta-feira.

No entanto, não quis descrever a reação da equipe de Trump, que também não divulgou até agora nenhum comentário sobre a mudança.

Earnest reconheceu que, quando Trump chegar ao poder, em 20 de janeiro, "poderá exercer toda a autoridade executiva da presidência", mas garantiu que há "motivos convincentes para continuar normalizando as relações" com Cuba.

Obama pôs fim nesta quinta-feira a uma política executiva adotada em 1995 que devolvia a Cuba os cubanos imigrantes ilegais que eram interceptados no mar ("pés molhados"), mas admitia nos EUA os que conseguiam tocar terra ("pés secos"), que podiam solicitar a residência permanente um ano após sua chegada.

A Casa Branca justificou a mudança, reivindicada há anos pelo governo cubano, pela necessidade de "igualar" sua política migratória em relação a Cuba com a que mantém com outros países.

O governo de Obama também reconheceu que o aumento no número de cubanos que chegaram aos EUA foi um fator em sua decisão: durante o último ano fiscal, 54.000 cubanos se beneficiaram dessa política, segundo dados da Casa Branca, e seu êxodo criou crise migratórias em vários países latino-americanos.

Trump ameaçou pôr fim à aproximação diplomática com Cuba a não ser que o governo cubano assine com ele "um acordo melhor", mas alguns analistas consultados pela Efe após sua vitória em novembro consideraram que poderia interessar-lhe pôr fim à política migratória com a qual acabou Obama.

"Ele (Trump) não gosta da imigração sem restrições, e isso é o que permite esta política", disse à Agência Efe em novembro o advogado especialista em Cuba, Robert Muse.

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