Cuba aceitará cubanos devolvidos pelos EUA na nova política de imigração

Havana, 12 jan (EFE).- O governo de Cuba se comprometeu nesta quinta-feira a receber todos os cubanos deportados por tentar entrar ilegalmente nos Estados Unidos, depois que o país revogou hoje a política "pés secos, pés molhados", que desde 1995 deu um tratamento preferencial aos imigrantes cubanos.

Cuba e Estados Unidos conseguiram "um importante passo nas relações bilaterais" com a assinatura hoje, em Havana, de um novo acordo de imigração que estabelece as bases para uma migração "regular, segura e ordenada", segundo um comunicado do governo cubano.

Após mais de um ano de negociações, os dois países anunciaram hoje este novo acordo de imigração, questão controversa durante décadas na relação bilateral, justo uma semana antes da posse de Donald Trump como novo presidente dos EUA.

O novo acordo elimina com efeito imediato a política de imigração "pés secos, pés molhados", que permitia ficar legalmente no país os cubanos que chegam por terra, enquanto os que são interceptados no mar eram devolvidos para a ilha, e o programa Parole que aceitava a profissionais da saúde cubanos; duas longas reivindicações do governo cubano.

Por sua vez, Cuba também se comprometeu em "garantir o direito a viajar e emigrar dos cidadãos cubanos e de retornar ao país, de acordo com os requisitos da lei de imigração", que foi modificada pelo governo de Raúl Castro em 2013, com importantes mudanças como a eliminação da "autorização de saída".

Segundo as autoridades cubanas, as relações migratórias entre os dois países estiveram "marcadas desde o triunfo da Revolução através da implementação de políticas agressivas nesta área pelas sucessivas administrações americanas, que incentivaram a violência, a migração irregular e o tráfico de pessoas, causando várias mortes de inocentes".

"Durante vários anos, tinha sido um interesse permanente do governo de Cuba adotar um novo acordo de imigração com os EUA, para resolver os graves problemas que continuavam afetando as relações migratórias, apesar da existência de acordos bilaterais nesta área", afirmou o governo cubano.

A política "pés secos, pés molhados" permitia aos cubanos que chegassem por terra ficar legalmente e qualificar a Lei de Ajuste, de 1996, que concede residência permanente aos cubanos de um ano e um dia depois ingressar nos EUA.

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