Cubanos a caminho dos EUA pedem exceção após revogação de política migratória

Panamá, 13 jan (EFE).- Os mais de 70 cubanos que se encontram em um albergue no Panamá pediram nesta sexta-feira ao governo americano que abra uma exceção para quem saiu de Cuba para viajar aos Estados Unidos antes da revogação da política migratória "pé seco, pé molhado".

"Só pedimos que abram uma exceção para quem está a caminho, em trânsito, que nos deixem seguir viagem, que não apliquem a medida imediatamente e nos deem um prazo para chegar aos Estados Unidos", indicou a jovem Yancys Ricars, que saiu de Cuba com a mãe e a filha no início de dezembro.

EUA e Cuba anunciaram na quinta-feira um acordo migratório que elimina com efeito imediato a política "pé seco, pé molhado", adotada em 1995 e que dava aos cubanos a possibilidade de obter residência permanente um ano após chegarem aos EUA, mesmo que entrassem no país ilegalmente, desde que não fossem interceptados no mar.

"Eu prefiro mil vezes atravessar a floresta do Darién (fronteira natural entre Colômbia e Panamá) que voltar a Cuba. Deixem-nos chegar aos Estados Unidos, por favor!", pediu o cubano Ulises Ferrer, que está no albergue com sua filha de quatro anos e sua mulher grávida há quase duas semanas.

O novo acordo também acabou com um programa de alívio migratório que permitia asilo a profissionais de medicina cubanos que abandonassem suas missões internacionais ou que estudassem no exterior, iniciado em 2006 e conhecido como "Programa Parole para Profissionais Médicos Cubanos" (CMPPP).

A mudança na política migratória americana era uma demanda antiga do governo de Cuba para frear o êxodo de cubanos dos últimos anos, que cresceu com a reaproximação com os EUA e que há um ano provocou uma crise humanitária na América Central.

Os chanceleres de nove países latino-americanos que estão na rota dos migrantes enviaram uma carta ao secretário de Estado americano, John Kerry, na qual pediram aos EUA que revisassem sua política migratória em relação a Cuba.

Com o anúncio de quinta-feira, milhares de cubanos se viram presos no Panamá. Segundo dados do Serviço Nacional de Migração, o país recebeu em 2016 mais de 27 mil migrantes ilegais, a maioria cubanos, além de haitianos, africanos e asiáticos.

Como parte do acordo, o governo cubano se comprometeu a receber todos os seus cidadãos deportados por tentar entrar ilegalmente nos EUA.

Atualmente, as autoridades do Panamá calculam que cerca de 200 cubanos estão em trânsito o país.

O governo do panamenho não se pronunciou oficialmente sobre a situação atual nem sobre o futuro dos cubanos que se encontram em trânsito no país.

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