Milhares de árabes-israelenses protestam em Qalansua por demolição de casas

Jerusalém, 13 jan (EFE).- Milhares de árabes-israelenses saíram nesta terça-feira às ruas da cidade de Qalansua, que fica a nordeste de Tel Aviv, em Israel, para protestar pela recente demolição de 11 imóveis ilegais pelas autoridades do país.

Em uma manifestação que percorreu as principais ruas da cidade depois das orações nas mesquitas, os manifestantes pediram ao governo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que acabe com as demolições, advertindo que, se isto continuar, poderá provocar "uma explosão no setor árabe", informou o serviço de notícias "Ynet".

No protesto participaram os principais deputados árabes que representam esta minoria no parlamento israelense, assim como prefeitos de várias cidades árabes.

"Peço a Netanyahu que não leve a região a uma escalada de violência por seus problemas (internos)", disse o deputado Muhamed Barake em alusão às suspeitas de corrupção contra o chefe de governo israelense e a sua necessidade de satisfazer as demandas dos colonos pela prevista demolição do assentamento de Amonah.

No mês passado, Netanyahu anunciou, em resposta a um veredicto já inapelável do Tribunal Superior para a remoção do assentamento, pois o mesmo foi erguido em terras privadas palestinas na Cisjordânia, que faria valer a lei de forma igualitária para judeus e árabes, e destruiria qualquer construção ilegal.

Esta ameaça convenceu vários integrantes da minoria árabe-israelense que as demolições em Qalansua são uma espécie de vingança.

Hussam Makhlouf, um dos atingidos, pediu aos líderes desta comunidade, em sua maioria de origem palestina e formada por 1,5 milhão de israelenses, que "não se deixem oprimir".

"Ficaremos em nossas terras, ninguém vai tirar a gente daqui", afirmou diante de milhares de manifestantes, informou o jornal "Haaretz" pela internet.

"Basta de demolições" e "Desta vez não ficaremos em silêncio" eram algumas frases de efeito escritas nos cartazes dos manifestantes, que também exibiam algumas bandeiras palestinas.

O protesto, que transcorreu sem incidentes, foi convocado por causa da demolição na terça-feira de 11 imóveis nessa cidade pelas autoridades israelenses, alegando que os mesmos tinham sido contruídos sem permissão das autoridades.

Naquele mesmo dia, o prefeito do município, Abed al Basat Salomon, anunciou que apresentaria sua renúncia ao Ministério do Interior israelense, alegando que um prefeito deve proteger os interesses de seus cidadãos e que ele se via incapaz de fazê-lo.

A comunidade árabe denunciou que os imóveis são construídos de forma ilegal porque o Estado de Israel não concede as permissões necessárias para construir nos povoados árabes e poder se expandir para satisfazer a demanda.

No caso de Qalansua, o projeto de ampliação urbana leva quase 20 anos de espera, sem que, por enquanto, tenha avançado.

Os imóveis em questão pertenciam a quatro famílias e estavam qualificados como terras de cultivo.

Na manifestação de hoje, os organizadores anunciaram a criação de um fundo para reconstruir os imóveis destruídos.

"A escassez de moradia na comunidade árabe requer soluções drásticas, e não uma aplicação estrita da lei quando se dá uma situação na qual, na prática, não se permite construir legalmente", se queixou a Fundação Abraham, que tenta estender pontes entre a maioria judaica e a minoria árabe.

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