Ministra australiana renuncia após usar viagem oficial para comprar um imóvel

Sydney (Austrália), 13 jan (EFE).- A ministra da Saúde da Austrália, Sussan Ley, renunciou nesta sexta-feira, quatro dias após anunciar seu afastamento temporário, por causa de uma investigação pelas despesas de uma viagem oficial ao leste do país, em que aproveitou a ocasião para comprar um apartamento.

O primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, afirmou hoje que Sussan tomou "a decisão correta" de renunciar definitivamente ao cargo e agradeceu pelos serviços prestados.

Turnbull, no entanto, evitou dar detalhes da investigação aberta sobre as despesas da agora ex-ministra, que continua negando um uso indevido das despesas durante a viagem oficial.

Em maio de 2015, Sussan Ley adquiriu uma propriedade em Gold Coast, avaliada em US$ 581 mil, durante uma viagem ministerial ao estado de Queensland que custou aos contribuintes australianos cerca de US$ 2,3 mil.

Após anunciar seu afastamento temporário, na última segunda-feira, a imprensa local seguiu publicando novos incidentes que acrescentaram mais dúvidas sobre Sussan.

Entre os escândalos destaca a exigência do reembolso das despesas de viagem que fez Sussan Ley, após assistir dois eventos na Véspera de Ano Novo, organizados por uma empresária e doadora do partido, que também abriu uma investigação.

Por causa da polêmica, Turnbull anunciou que aumentará a fiscalização das despesas nas viagens dos legisladores do país.

Para isso, será criado um órgão parlamentar independente que "supervisionará todas as reivindicações dos parlamentares, senadores e ministros, e que assegure que o dinheiro dos contribuintes sejam usados apropriadamente e em cumprimento das regras", disse Turnbull, durante entrevista coletiva em Sydney.

O novo sistema de vigilância permitirá que os cidadãos possam ver quase imediatamente as despesas dos políticos, que deverão reportar mensalmente, sob estas futuras medidas, as cobranças de representação.

Durante nos últimos dias, os veículos de imprensa australianos denunciaram outros incidentes similares que poderiam respingar em outros políticos, entre eles a ministra das Relações Exteriores, Julie Bishop, e o de Comércio, Steve Ciobo; por participarem de eventos esportivos com dinheiro dos contribuintes.

A exceção de Sussan Ley, nenhum dos ministros denunciados pelos veículos de imprensa foram investigados ou renunciaram.

O governo australiano já tinha ordenado uma investigação em 2015 depois que a presidente da Câmara Baixa, Brownyn Bishop, que foi obrigada a renunciar depois que se descobriu que ela gastou quase US$ 4 mil no aluguel de um helicóptero, ao invés de usar um veículo oficial para comparecer a uma festa do Partido Liberal.

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