Ministro alemão alerta contra corte em ajuda a países que rejeitem deportados

Berlim, 13 jan (EFE).- O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, advertiu nesta sexta-feira contra o propósito de seu próprio governo de retirar a ajuda ao desenvolvimento aos países de origem que rejeitarem refugiados deportados pelo país europeu por considerar que essa não é uma medida de pressão adequada.

"Certamente temos que fazer com que esses países cooperem. Mas se eles não o fazem, não podemos retirar as ajudas", afirmou Schäuble, em declarações publicadas nesta sexta-feira pelo jornal "Süddeutsche Zeitung".

Assim, o titular de Finanças se une às críticas contra essa proposta formuladas pelo ministro de Cooperação e Ajuda ao Desenvolvimento, Gerd Müller, da União Social-Cristã da Baviera (CSU, sigla em alemão), que manifestou sua contundente rejeição a esse plano.

O propósito de reduzir a ajuda ao desenvolvimento foi formulado esta semana pelos ministros de Interior e Justiça - o conservador Thomas de Maizière e o social-democrata Heiko Maas -, dentro de um pacote de medidas a serem adotadas após o atentado de dezembro contra um mercado de rua natalino em Berlim.

O porta-voz do governo, Steffen Seibert, afirmou hoje que não há divergência alguma entre a posição de Schäuble e Müller, por um lado, e a de De Maizière e Maas, pelo outro, já que ambas se baseiam na intenção "compartilhada" de conseguir uma melhor cooperação com os países de origem.

"O interesse comum, de todo o Executivo, é acelerar essas expulsões, e é nisso que estão trabalhando os diferentes departamentos e também a escala bilateral", disse Seibert.

Ao apresentar suas medidas, De Maizière ressaltou que todos os ministros de Interior da União Europeia (UE) concordaram em vincular a ajuda ao desenvolvimento com o grau de cooperação dos países de origem na hora de aceitar os deportados.

Assim, conforme explicou o ministro alemão, haverá "menos ajuda ao desenvolvimento" para os Estados que mostrarem "menor disposição para cooperar" na questão das devoluções.

O atentado contra o mercado de rua natalino, no qual morreram 12 pessoas e 50 ficaram feridas, foi cometido pelo tunisiano Anis Amri, que não foi deportado por falta de documentação.

Junto à ameaça de cortes na ajuda ao desenvolvimento, De Maizière e Maas anunciaram outras medidas, como o monitoramento com tornozeleiras eletrônicas das pessoas consideradas perigosas e potenciais terroristas pelas forças de segurança - como era o caso de Amri - e a prisão preventiva antes de sua expulsão.

O governo alemão só conseguiu repatriar durante 2016 cerca de 350 norte-africanos, apesar de haver milhares no país, o que vem causando certo alarme social, sobretudo após o atentado contra o mercado de rua, mas também por causa dos abusos sexuais na virada do ano de 2015 na cidade de Colônia.

Segundo fontes alemãs, os norte-africanos repatriados em 2016 foram 140 argelinos, 111 tunisianos e 99 marroquinos, que chegaram em seus países através de voos regulares e acompanhados por policiais alemães até seu destino.

Em princípio, todos eles se beneficiaram do programa oficial "Ajuda Financeira aos Retornos Voluntários", estabelecido em coordenação com a Organização Internacional de Migrações, que oferece 200 euros em espécie para cada viajante e mais 300 euros de ajuda à reintegração em seus países.

Ao longo de 2016, a Alemanha intensificou os trâmites com Tunísia e Marrocos para acelerar as expulsões de seus nacionais em situação irregular, por causa da comoção causada pelos abusos sexuais e roubos maciços sofridos por centenas de mulheres na virada do ano de 2015, cometidos principalmente por imigrantes norte-africanos.

As autoridades de Colônia prepararam uma operação policial para evitar situações parecidas na última virada de ano, na qual interceptaram cerca de mil norte-africanos que se dirigiam à cidade, aparentemente com intenção parecida.

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