Prefeito de Quito denuncia na OEA perseguição de Correa por caso Odebrecht

Washington, 13 jan (EFE).- O prefeito de Quito, Mauricio Rodas, denunciou nesta sexta-feira perante a OEA e a CIDH a "perseguição política" do governo de Rafael Correa à oposição por meio do caso dos supostos subornos da Odebrecht no Equador.

Rodas concluiu com várias reuniões sua visita de dois dias a Washington para "alertar" sobre fatos que estão "contaminando o processo eleitoral" no país andino antes do pleito de 19 de fevereiro, segundo explicou em declarações à Agência Efe ao término de seus encontros.

O prefeito de Quito expôs suas denúncias a Gonzalo Koncke, chefe de gabinete do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, assim como a Marta Tavares, especialista em direitos humanos no Escritório de Registro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Koncke, com quem se reuniu em um dos edifícios administrativos da OEA, se despediu com a frase "Estaremos atentos", segundo pôde constatar a Efe.

Segundo Rodas, tanto na OEA como na CIDH existe "interesse para conhecer com mais profundidade o caso" e "para vigiar os fatos de maneira muito pontual para que, de acordo com as circunstâncias, se possa ativar os diferentes mecanismos previstos no Sistema Interamericano".

O prefeito não quis antecipar quais poderiam ser esses mecanismos, mas garantiu que se manterá em contato permanente com a OEA e a CIDH para, "em função das circunstâncias, tomar as medidas que correspondam".

Rodas pertence ao movimento SUMA, que apoia o grupo opositor CREO, do ex-banqueiro Guillermo Lasso, que enfrentará nas eleições de 19 de fevereiro Lenín Moreno, candidato do partido de Correa, o Aliança País.

O prefeito de Quito também levou suas denúncias hoje ao Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, após reunir-se ontem com a diretora de Assuntos Andinos do Departamento de Estado, Annie Pforzheimer.

Nesse encontro, entregou à diplomata um documento dirigido ao Departamento de Justiça no qual pede que se publique os nomes dos subornados pela Odebrecht no Equador para que "caia quem deva cair" e acabar assim com as "acusações maliciosas" do Executivo equatoriano contra o município.

Na segunda-feira passada Correa afirmou no Twitter que espera-se que os EUA publiquem "rápido os nomes de corruptos com provas pertinentes. No entanto, no Equador as investigações avançam. Foi detido Mauro T. Todos sabem que é o poder por trás do poder no município de Quito".

Rodas assegurou que Mauro T. não é funcionário municipal e se mostrou "surpreendido" que se tente vincular um processo judicial particular com o caso de subornos envolvendo a construtora brasileira.

O relatório americano indica que no Equador, entre 2007 e 2016, a Odebrecht supostamente pagou propinas no valor de mais de US$ 35,5 milhões a "funcionários do governo", o que lhe gerou lucros de mais de US$ 116 milhões.

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