Salah Abdeslam mostra sua religiosidade em carta e diz que não sente vergonha

Paris, 13 jan (EFE).- Salah Abdeslam, o único suposto jihadista que participou dos atentados em Paris no dia 13 de novembro de 2015 que está preso, mostra sua religiosidade em uma carta enviada a uma mulher que se correspondeu com ele na prisão, em um texto no qual também diz que não sente vergonha de ser o que é.

A carta, que teve parte de seu conteúdo publicada nesta sexta-feira pelo jornal "Libération", foi incorporada ao processo judicial no dia 11 de outubro depois que os responsáveis da prisão de Fleury Mérogis, onde está detido, a leram, assim como fazem sistematicamente com todas as mensagens que ele envia para fora da penitenciária.

Abdeslam, que manteve silêncio total perante o juiz desde sua chegada à França em 27 de abril, após ser detido um mês antes em Bruxelas, na Bélgica, responde no texto a uma mulher que enviou várias cartas para ele, e parece comentar sobre seu estado de ânimo.

"Em primeiro lugar, não tenho medo que saia algo de mim porque não tenho vergonha do que sou", afirma na carta o suposto terrorista de 26 anos.

O jovem considera "sincera" sua interlocutora - da qual o "Libération" diz não conhecer sua identidade, mas apenas que sua última carta foi carimbada em uma agencia dos correios do departamento de Côte d'Or, no centro da França - e por isso lhe pergunta quais são suas intenções.

"É para garantir que você não me vê como 'uma estrela ou um ídolo', porque recebo cartas desse tipo que não me parecem bem, porque o único que merece adoração é Alá, o senhor do universo", diz Abdeslam.

Seguindo nessa linha de referências religiosas, o suposto terrorista afirma que é "muçulmano, ou seja, "submisso a Alá".

E pergunta à mulher se ela mesma também é "submissa" e, caso contrário, lhe pede que se arrependa depressa e se submeta a Alá: "Você não deve ouvir as pessoas, mas as palavras de seu senhor. Ele lhe guiará".

Abdeslam é considerado um dos responsáveis pela logística da série de atentados em Paris que causou a morte de 130 pessoas e deixou centenas de feridos na noite do 13 de novembro de 2015.

O jornal, que cita como fonte "um bom conhecedor", afirmou que Abdeslam recebe várias correspondências em sua cela de católicos que o questionam sobre sua fé religiosa, mas também de mulheres que se declaram apaixonadas e que querem ter um filho com ele, assim como de advogados que se oferecem para defendê-lo.

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