Deputada deixa partido de Merkel por discordar de política para refugiados

Berlim, 14 jan (EFE).- A deputada Erika Steinbach, integrante há mais de 40 anos da União Democrata-Cristã (CDU), presidida pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel, anunciou que deixará o partido em protesto contra a política de refugiados praticada no país.

Em entrevista ao jornal "Die Welt" neste sábado, Steinbach, porta-voz de direitos humanos da CDU, acusa Merkel de ter violado a lei com a abertura de fronteiras para os refugiados em 2015.

"Deixar durante meses passar pela fronteira pessoas sem identificação em ônibus e trens não foi uma exceção, mas uma medida proposital, contrária às nossas leis e aos acordos da União Europeia (UE)", afirmou a deputada conservadora.

Steinbach acusa o governo de Merkel de ter provocado intencionalmente a imigração ilegal e afirma que no Escritório Federal para Migração e os Refugiados (BAMF) foram identificados milhares de passaportes falsos, sem que as consequências legais estabelecidas fossem aplicadas contra as pessoas correspondentes.

"Nenhum órgão federal ignora dessa forma nossas leis. Por trás há uma vontade política", criticou Steinbach.

A deputada afirma que a chanceler abusou do direito ao asilo porque parte considerável das pessoas que chegaram à Alemanha não podem ser consideradas refugiadas dentro da Convenção de Genebra. Além disso, Steinbach cita consequências devastadoras para o país.

"Com os imigrantes não só vieram ao país pessoas que buscavam proteção, mas também terroristas, como muitos alertaram desde o início. Nossa situação em matéria de segurança piorou significativamente desde a abertura das fronteiras", ressaltou.

Steinbach ressaltou a esperança que o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) chegue ao Bundestag, a câmara baixa do parlamento do país, nas próximas eleições gerais.

"Precisamos ter uma oposição lá. Só assim a democracia se mantém viva", afirmou a deputada, integrante da CDU desde 1974 e eleita sete vezes para o Bundestag.

"O elemento conservador foi marginalizado e estigmatizado no programa da CDU, levando ao surgimento de um partido como a AfD, que aborta os temas que se tornaram problemáticos nos últimos anos. Atualmente eu votaria na CDU? Não. E mais: entraria na CDU? Não. A conclusão que posso tirar disso é deixar a CDU", afirmou.

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