Ex-espião britânico que elaborou dossiê de Trump se sentiu frustrado com FBI

Londres, 14 jan (EFE).- O ex-espião britânico Christopher Steele, suposto autor do polêmico dossiê sobre os vínculos de Donald Trump com os cibertaques russos durante a campanha eleitoral nos Estados Unidos, ficou "frustrado" com a inação do FBI sobre suas descobertas, afirmou neste sábado o jornal "The Independent".

O ex-agente dos serviços secretos britânicos, de 52 anos, e identificado por veículos da imprensa dos EUA e do Reino Unido como autor do controvertido relatório, chegou a trabalhar sem cobrar nenhum salário na parte final da investigação devido à grande inquietação provocada pelas informações que estava descobrindo.

Por esse motivo, o ex-espião decidiu revelar as informações ao jornalista da revista norte-americana "Mother Jones"

No entanto, segundo fontes de segurança não identificadas pelo "The Independent", Steele começou a ficar cada vez mais frustrado porque o FBI não adotava nenhuma medida em relação ao relatório.

De acordo com essas fontes, o ex-espião chegou a pensar, inclusive, que existia um esquema de encobrimento da investigação sobre Trump. Corn disse que ele estava "seguro" da veracidade do material revelado e se sentia "preocupado por suas implicações".

"Dava a impressão de ser um profissional sério que não tinha vontade de falar com um jornalista nem gerar uma polêmica pública. Estava consciente que assumia um risco, mas parecia se sentir obrigado por seu trabalho a compartilhar as informações que lhe pareciam cruciais", indicou o repórter da revista "Mother Jones".

A imprensa britânica afirmou nesta semana que Steele está escondido porque teme represálias russas. No entanto, pessoas que trabalharam com ele destacaram que o ex-espião é um profissional "muito rigoroso", duvidando que ele seja capaz de repassar informações falsas sobre qualquer pessoa.

Pouco se sabe sobre Steele. Jornais do Reino Unido afirmam que ele é formado pela Universidade de Cambrigde e um dos mais destacados especialistas sobre a Rússia do MI-6, o serviço secreto britânico, órgão que deixou em 2009.

Steele teria vivido dois anos na Rússia no início dos anos 1990 e conseguiu estabelecer contatos graças a velhas técnicas, como conhecer pessoas, fazer amigos e pagar por informações, indicou nesta semana o jornal "The Guardian".

Além disso, o ex-espião é um dos fundadores da companhia Orbis Business Intelligence, com sede em Londres, especializada em investigação para empresas.

Segundo a imprensa, foi Steele quem preparou o documento que afirma que o Kremlin se relacionou com a campanha eleitoral de Trump e que os serviços secretos russos têm informações sensíveis sobre o presidente eleito e que poderiam ser usadas para chantageá-lo.

Trump admitiu na última quarta-feira que a Rússia está por trás dos ciberataques nas eleições, mas negou qualquer vínculo com o governo do país. Além disso, chamou alguns veículos de imprensa que publicaram o relatório de "lixo".

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