Correa completa 10 anos no poder em meio a campanha para eleger sucessor

Quito, 15 jan (EFE).- Rafael Correa completou neste domingo uma década como presidente do Equador, em plena campanha eleitoral para eleger seu sucessor, apesar de o desempenho da economia e a corrupção ocuparem o centro das discussões no país.

Em discurso na cidade de Guayaquil, no sudoeste do país, Correa garantiu que deixará o poder com a economia em crescimento e estabilizada para o próximo governo, que assume em maio, apesar dos problemas atravessados pelo país nos últimos anos.

O presidente reiterou que conseguiu enfrentar o que chamou "tempestade perfeita": a queda internacional do preço do petróleo, a valorização do dólar e os efeitos de desastres naturais, como o terremoto de 7,8 graus que atingiu o país, deixando mais de 600 mortos e milhões em perdas materiais.

Apesar de ser criticado pela oposição por "desperdício de dinheiro público", Correa disse que investiu dinheiro em políticas sociais, educação e saúde. Em relação à infraestrutura do país, o presidente batizou seu período no poder de "década vencida".

"Muitos esperavam que a economia entrasse em colapso. Não só a economia não colapsou, mas já mostra grandes e claros sinais de recuperação. Tudo isso sem os pacotes econômicos, que por muito menos tivemos que enfrentar nos governos do passado", afirmou.

O presidente, que assumiu seu primeiro mandato em 2007, afirmou que o Equador superou a recessão com um custo mínimo e em tempo recorde. A previsão de crescimento para 2017 é de 1,4%.

"Deixaremos o próximo governo com uma economia em ascensão e estabilizada", ressaltou Correa, enquanto críticos e opositores classificam seu período no governo como "década perdida".

Correa diz entender os banqueiros e os partidos políticos tradicionais que batizaram sua administração dessa forma. Segundo o presidente, para esses grupos a década realmente foi perdida porque eles não conseguiram se aproveitar do governo.

A oposição também acusa Correa de ações ditatoriais, como a intervenção em outros poderes e a restrição de liberdades. O presidente nega as acusações, embora tenha sido o defensor de uma polêmica lei de imprensa que recebeu críticas dentro e fora do país.

Um recente escândalo de corrupção na Petroecuador serviu para a oposição atacar Correa e criticar o que consideram a falta de controle dos órgãos estatais.

"Nos últimos meses enfrentamos o mais grave caso de corrupção sofrida pelo governo, que nos envergonha e que fomos os primeiros a combater", disse, rebatendo os comentários da oposição.

O presidente aproveitou o discurso para criticar a existência dos paraísos fiscais e lembrou que nas eleições de fevereiro os equatorianos deverão se pronunciar em um referendo se os funcionários públicos podem ter ou não bens, capitais e empresas de qualquer natureza em territórios desse tipo.

Correa, que afirma que transformou de forma irreversível o país nos últimos dez anos, afirmou que o Estado não substituir nem se submeter à iniciativa privada.

"Ainda falta muito para fazer no país, mas nunca se fez tanto como agora", afirmou o presidente do Equador.

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