França promove processo de paz no Oriente Médio antes da posse de Trump

Luis Miguel Pascual.

Paris, 15 jan (EFE).- Mais de 70 países e organizações internacionais concluíram neste domingo, em Paris, uma conferência para retomar o estagnado processo de paz entre palestinos e israelenses, que, no entanto, não participaram da reunião.

O evento ocorreu praticamente às vésperas da posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos na próxima sexta-feira e em meio às incertezas sobre o modo pelo qual seu governo administrará ou influenciará o processo de paz, parado desde abril de 2014.

Patrocinada pela França e com respaldo da ONU, da União Europeia e do atual governo dos EUA, que enviou o secretário de Estado, John Kerry, a conferência deu um claro apoio à solução de dois Estados na região, um israelense e outro palestino.

O evento, organizado pelo presidente da França, François Hollande, foi encerrado com uma declaração dos 70 países participantes que pedem que Israel e Palestina retomem as negociações com o objetivo de chegar à solução de dois Estados, a única saída viável para o conflito na avaliação dos presentes na conferência.

Foi um apoio simbólico, já que nem israelenses nem palestinos fizeram parte da reunião, mas que para a França tem o valor de mostrar o amplo apoio para a solução de dois Estados na comunidade internacional.

"Todos os participantes confirmaram que é urgente preservar a solução de dois Estados, a única viável e que está ameaça pelo avanço da colonização e pela violência", indicou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Marc Ayrault.

Não se trata, destacou o chanceler francês, de substituir as duas partes na mesa de negociações, mas de pedir que o diálogo seja retomado sob a base das fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967, e dos acordos já firmados no passado.

Contra o pessimismo dominante e contra as duras críticas de Israel à reunião, o chefe da diplomacia francesa afirmou que a conferência foi um "passo adiante", embora pequeno, na construção da paz no Oriente Médio.

Ayrault negou que o objetivo da reunião era forçar Israel a negociar, rebatendo as afirmações do primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu.

"Nossa única vontade é estender a mão aos dois lados para favorecer que retornem à mesa de negociações. Se não fizermos nada, seremos responsáveis se a situação se degenerar. Esse conflito não perdeu sua importância simbólica, que supera todas as fronteiras. Alimentá-lo seria dar um presente aos extremistas de todos os países", alertou o chanceler francês.

O ministro classificou como uma "provocação" a ameaça de Trump de transferir a embaixada dos EUA em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. "Seria uma provocação de consequências extremamente duras", disse.

"Acho que Trump não poderá fazer a mudança. Quando você é presidente dos Estados Unidos, não é possível ter posições tão duras e unilaterais em uma questão como essa. É preciso buscar a forma de criar as condições para a paz", disse o chanceler.

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