Irã adverte que tem indústria nuclear capaz de funcionar como antes de pacto

Teerã, 15 jan (EFE).- A indústria nuclear do Irã pode voltar a funcionar nos níveis prévios ao acordo internacional assinado com as seis grandes potências se alguma das partes não cumprir seus compromissos, segundo o vice-presidente da Organização de Energia Atômica do Irã (OEAI), Ali Asghar Zarean.

Em entrevista divulgada neste domingo pelas agências de notícias iranianas "Irna" e "Mehr", Zarean afirmou que isto é possível "graças aos vínculos estabelecidos entre a indústria nuclear do país com as universidades".

"Somos capazes de obter qualquer quantidade de enriquecimento (de urânio) que quisermos", ressaltou.

Zarean acrescentou que a indústria de seu país é capaz de produzir novamente urânio enriquecido a 20%, como fazia nos anos anteriores à entrada em vigor do pacto selado entre Irã e o Grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha).

Com este acordo, que entrou em vigor em 16 de janeiro de 2016, o Irã se comprometeu a aceitar limitações e uma maior supervisão internacional sobre seu programa nuclear civil. Isto inclui a redução das reservas de urânio enriquecido a menos de 300 quilos no Irã, e que o nível do enriquecimento seja menor do que 4%, muito abaixo dos 90% necessários para alimentar uma bomba nuclear.

Em troca, as potências ofereceram suspender suas sanções comerciais e diplomáticas que abalavam a economia iraniana.

As declarações de Zarean foram dadas depois que Rex Tillerson, futuro secretário de Estado do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, afirmar que é necessária uma revisão do acordo nuclear.

As autoridades iranianas insistiram que não vão permitir que o acordo seja revisado e ressaltaram que o pacto foi feito com vários países, e com isso os EUA não podem decidir sobre ele de forma unilateral.

Teerã acusou Washington em várias ocasiões de violar o acordo, especialmente com a extensão das sanções americanas ao Irã por mais dez anos.

Trump mostrou-se contrário ao pacto nuclear, mas seu indicado para liderar o Pentágono, James Mattis, defendeu recentemente que ele seja mantido.

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