Trump é última esperança de cubanos bloqueados na fronteira dos EUA

Alex Segura Lozano.

Nuevo Laredo (México), 15 jan (EFE).- Os mais de 50 cubanos bloqueados na região de Nuevo Laredo, na fronteira do México com os Estados Unidos, esperam que Donald Trump, que toma posse na próxima sexta-feira, solucione o conflito gerado pelo fim da política "pés secos/pés molhados" que garantia residência automática para os cidadãos da ilha que chegassem ao território norte-americano.

Um dos afetados pela inesperada decisão do ainda presidente do país, Barack Obama, que revogou a medida na última quinta-feira, é Roimer Delgado, de 47 anos, que garante que irá esperar uma solução.

"Estamos esperando para ver o que Trump decidirá fazer conosco. A única coisa que queremos é que ele nos deixe entrar e construir uma nova vida, a base de esforço e trabalho, longe do regime castrista", disse Delgado em entrevista concedida perto da ponte que conecta Nuevo Laredo, no México, e Laredo, no estado do Texas.

Cerca de 30 dos cubanos bloqueados na fronteiras, entre eles várias mães com crianças pequenas, decidiram protestar de maneira pafícica na ponte, formando uma fila em silêncio.

Os participantes da manifestação, que chegaram à fronteira entre a quinta-feira e ontem, pedem ao governo de Trump que deixe os cubanos que estão em viagem deixar no país. Eles criticam Obama por ter tomado uma decisão "imediata e inesperada".

Dando mais um passo em direção ao processo de normalização de relações diplomáticas com Cuba, Obama revogou a medida que permitia que os cubanos imigrantes que chegassem aos EUA ficassem no país.

Os cubanos agora colocam suas esperanças no presidente eleito, que no dia da morte de Fidel Castro prometeu que seu governo faria o possível para "garantir que o povo cubano possa iniciar o caminho em direção à prosperidade e à liberdade".

Além disso, durante a campanha eleitoral, Trump se comprometeu a manter uma postura firme em relação ao regime de Raúl Castro, um anúncio que conseguiu angariar apoios dos exilados cubanos no estado da Flórida, votos que foram essenciais para que o republicano obtesse a vitória nas eleições presidenciais de novembro.

"Esperamos que o novo governo reflita um pouco e nos deixe passar, seja por meio de asilo político ou reintroduzindo a regra de 'pés secos/pés molhados'. Me conformo com o que eles quiserem dar", indicou Irina Vicardo, que chegou à fronteira com seus dois filhos, de 1 e 8 anos.

Irina deixou o Equador, onde vivia, e cruzou Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala e México para chegar à fronteira dos EUA. A rota que ela usou é uma das mais frequentes usadas pelos cubanos, que saem do país com turistas em viagem para o Equador, continuando a viagem na sequência.

Os cubanos que estão agora no México obtiveram ao entrar no país um "salvo-conduto", uma permissão que lhes garante uma permanência de 20 dias. Por isso, eles pedem agilidade ao novo governo.

No lado norte-americano da ponte, a ativista Amanda Soler disse à Efe que, caso não haja uma solução nos próximos dias, o grupo de cubanos que está nos EUA trabalhará para distribuir roupas e comidas para os compatriotas bloqueados na fronteira.

"Embora tenhamos esperanças que eles sejam autorizados a entrar, o mínimo que podemos fazer por eles é que estejam nas melhores condições possíveis durante a longa espera", disse Soler.

Se a situação não for selecionada antes do prazo, os cubanos poderiam optar por pedir asilo político em alguns dos países. No processo, porém, a pessoa deverá comprovar a incapacidade de voltar a Cuba por ter sido sujeita à perseguição.

"Ou avançam em direção aos EUA ou dão um passo atrás e voltam para o México", disse um dos oficiais que faz a segurança da ponte para encerrar a manifestação dos cubanos.

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