China adverte Trump de consequências se usar Taiwan como "moeda de troca"

Pequim, 16 jan (EFE).- O governo da China advertiu nesta segunda-feira a Donald Trump que ele enfrentará a rejeição de Pequim e da comunidade internacional se utilizar a política de uma única China como "moeda de troca", depois que o presidente eleito americano ameaçou não respeitar este princípio.

"Qualquer um deveria saber que nem tudo neste mundo é negociável". "Qualquer um que tente utilizar a política de uma única China como moeda de troca por qualquer motivo, vai se deparar com a oposição da China e da comunidade internacional", garantiu nesta segunda-feira uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores deste país, Hua Chunying.

Hua respondeu assim às declarações realizadas por Trump em entrevista ao jornal "Wall Street Journal" publicada no fim de semana, nas quais manifestou que o princípio de uma única China, pela qual Pequim rege suas relações com outros países, é "negociável" e deixou no ar seu compromisso com esta política.

Para manter este reconhecimento, que implica não reconhecer Taiwan como um Estado, Trump exigiu que o regime comunista de Pequim mostre mudanças em suas políticas monetárias e de comércio, que considera prejudiciais para os Estados Unidos.

"A política de uma única China não é negociável", insistiu hoje Hua em entrevista coletiva, em linha com a resposta de outro porta-voz deste mesmo Ministério no sábado.

Alguns dos principais veículos de imprensa oficiais chineses se juntaram hoje às críticas e advertências contra Trump após suas últimas declarações, que acontecem poucos dias antes da nova administração se instalar na Casa Branca.

"Trump está brincando com fogo com seu jogo taiuanês", publicou hoje em um editorial o "China Daily", a principal publicação oficial em inglês da China.

Ao contrário de artigos anteriores, a publicação considerou hoje que as declarações de Trump já não são fruto de um "erro", pois lembrou que esta é a terceira vez que o magnata põe em dúvida o compromisso dos EUA com o status quo.

"Pequim não terá outra opção que não seja manter a prudência" se Trump continuar por este caminho, afirmou a publicação chinesa.

Em um tom mais agressivo, outra publicação oficial, o "Global Times", classificou a estratégia de Trump como "egoísta e desprezível", ao colocar em dúvida o que foi a base das relações sino-americanas desde 1979.

O jornal garantiu que Pequim responderá duramente a qualquer "reconsideração" deste princípio e que se mostrará implacável contra o independentismo de Taiwan.

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