Rússia acusa EUA de iniciar nova corrida armamentista na Europa

Moscou, 16 jan (EFE).- A Rússia acusou nesta segunda-feira os Estados Unidos de iniciar uma nova corrida armamentista na Europa ao movimentar tropas e tanques em vários países do continente, em linha com a decisão da Otan de reforçar sua presença militar em sua fronteira oriental.

Os EUA deram início a "uma nova corrida armamentista ao tentar nos impor um modelo de relação antagonista similar ao que regia em tempos da Guerra Fria", disse Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, em comunicado.

Zakharova considera que "os planos em grande escala" de deslocamento de forças militares norte-americanas no continente europeu têm um "potencial destruidor para toda a arquitetura de segurança europeia".

Para ela, esses planos "criam uma nova realidade político-militar, causam um considerável desequilíbrio de forças no continente e ameaçam com consequências destrutivas no espaço euroatlântico".

A porta-voz também acusou Washington de investir no desenvolvimento de infraestrutura militar e unidades de reação rápida "perto das fronteiras russas", o que inclui a modernização da rede de aeródromos militares.

Zakharova destacou que, recentemente, os EUA habilitaram arsenais para armamento pesado na Holanda e farão o mesmo no futuro em Bélgica e Alemanha. Ela rejeitou as explicações do Pentágono de que a presença de suas novas forças na Europa é provisória.

"Trata-se do lugar a longo prazo de forças e equipamentos na Europa, dificilmente podem ser considerados defensivos", alegou.

A porta-voz lembrou que esta política coincide com o desenvolvimento do escudo antimísseis na Europa e a modernização do arsenal nuclear americano em territórios de países-membros da aliança militar.

Cerca de 3 mil soldados americanos, 80 tanques e material pesado de guerra chegaram recentemente à Polônia a partir da Alemanha para reforçar o flanco oriental da Otan, uma decisão adotada pela aliança no ano passado depois da anexação da Crimeia pela Rússia.

Lituânia, Letônia, Estônia e Romênia também receberão uma parte desse batalhão blindado americano, o que o Kremlin considera uma ameaça para sua segurança.

Em entrevista a veículos de imprensa europeus, o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, tachou hoje a Otan como "obsoleta" por sua incapacidade de combater o terrorismo internacional.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse compartilhar a opinião de Trump e classificou a aliança como "vestígio do passado" e uma organização "focada no confronto".

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